São Paulo - O inglês Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da F-1, minimizou as queixas das equipes, que reclamaram das alterações feitas no regulamento da categoria, e defendeu o estabelecimento do número de vitórias como o critério que definirá o campeão a partir do Mundial-2009.
Com a mudança, o sistema de pontuação servirá apenas como critério de desempate e para definir as outras posições no Mundial de Pilotos. O campeonato de construtores permanece inalterado.
"Toda vez que fazemos alterações, existem algumas pessoas que dizem ‘esqueça, não vai acontecer’. Quando criamos a regra de dois motores por corrida, todos disseram que as equipes não terminariam as provas", comentou. "Tudo o que é proposto, as equipes dizem ‘esqueça’. Faz parte", disse Ecclestone, de acordo com o site "Autosport".
Em entrevista à BBC, o dirigente também não se comoveu com os pilotos que se disseram contrários à nova regra. "Os que sabem que vão ganhar, estão contentes, e os que sabem que não vão vencer, não ligam", disse.
"A ideia é fazer com que os pilotos corram. O segundo colocado (de uma corrida) tem que tentar ganhar, em vez de pensar que esse primeiro posto só lhe daria dois pontos a mais, o que não é uma grande motivação", justificou Ecclestone.
Teto

Bernie Ecclestone também se colocou a favor da proposta da FIA de propor às escuderias um teto orçamentário, que não é obrigatório, a partir de 2010. As equipes terão a opção de competir com carros construídos e mantidos dentro de um orçamento de 33 milhões de euros (o que equivale a cerca de R$ 97 milhões). Como comparação, estima-se que a Ferrari tenha gasto mais de R$ 980 milhões em 2008.
Para os que fizerem essa escolha, uma série de liberdades técnicas serão concedidas. Ou seja, a isonomia técnica que sempre caracterizou a categoria não mais existirá, e o grid será dividido em ricos que seguem normas mais rígidas e pobres com mais liberdade.
"Esses caras (as equipes) dizem que reduziram seus orçamentos em 50%, mas quem gasta 300 milhões agora gastará 150 milhões, e o cara que gasta 80 milhões irá gastar 40 milhões. Sempre existiu essa diferença", falou.
"Vamos restringir o orçamento a essas equipes (que aceitarem o teto orçamentário), mas vamos ajudá-los com vantagens técnicas. Então, algumas das equipes grandes se perguntarão por que gastam 300 milhões. No final, deveríamos ter um teto para todos, mas talvez 33 milhões de euros seja muito baixo", ressaltou.
O dirigente diz que a ideia ajudará a atrair novas escuderias à categoria. "Quero ver 26 carros no grid, dos quais 16 seriam competitivos", concluiu.

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