Moringão, segunda-feira à tarde. Lá está a professora e técnica de futsal Vanda Sanches a acompanhar o torneio escolar municipal. Pupilas dela iriam entrar em quadra. Essa vai ser a rotina dela em 2011. Depois de lutar pelo futsal feminino da cidade, a mentora da modalidade em Londrina sucumbiu à falta de apoio e decidiu fazer uma pausa. Porém, a ausência do time adulto em todas as competições que sempre disputou nesta temporada não será o fim da equipe. Pelo menos é o que garante a ex-técnica, hoje dirigente. ''É uma pausa. Um até breve'', diz.
Vanda se nega a falar que o time acabou. Ela prometeu seguir buscando patrocinadores para voltar em 2012. Afinal, a equipe tem um peso enorme em sua vida. Foram quase 20 anos de dedicação e ela não quer deixar o projeto morrer pela falta de R$ 55 mil para todo o ano, um valor até certo ponto irrisório por se tratar de uma equipe de ponta dentro de sua modalidade no país. ''Precisamos de R$ 205 mil por ano para sobreviver. Esse ano, faltou R$ 55 mil'', contou.
Nestes últimos 13 meses, desde que a Unopar anunciou a retirada do patrocínio master, ela bate de porta em porta atrás de patrocinadores. São 13 meses de noites mal-dormidas. ''Foi muito triste. Não vou dizer que não foi. Mas o que me deixou com um pouco de alento foi que ficou o trabalho de base e pode ser que essas meninas possam formar uma equipe adulta no ano que vem'', contou.
E esse é o projeto dela. Com o pouco de apoio que tem, seguir investindo na base para ter um time mais barato em 2012 e poder voltar a disputar grandes campeonatos, como a Liga Futsal. ''Estou colocando uma pausa. Tenho certeza que saindo um pouco mais barato a equipe, nós conseguimos (voltar)'', projetou esperançosa.
Vanda acredita que o empresariado londrinense não tem a cultura de investir em esporte, muito menos em uma modalidade feminina. Mas elenca outros pontos que atrapalham. ''O investimento em qualquer modalidade feminina sempre é menor. Mas também falta alguém influente que abrace a causa e indique empresas. Fora isso, o empresariado de Londrina não tem visão aberta para o esporte, de que é possível estar na mídia gastando o mínimo e com imagem boa, com responsabilidade social. Cerca de 70% das meninas vêm de classes sociais desfavoráveis e quem apoia o esporte está ajudando a acabar com isso'', afirmou.
Mas ela não desiste, segue buscando um parceiro e pensando no futuro do time e de muitas crianças da cidade. Por isso, mantém firme o trabalho nos polos. São seis ao todo, com a meta de chegar a dez em breve.

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