E Tarso troca a F-1 pela Indy
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sábado, 23 de janeiro de 1999
José Emílio Aguiar Agência Estado 
Mais um piloto brasileiro está trocando a Fórmula 1 pela Fórmula Indy: o paranaense Tarso Marques, que correu provas na Minardi, assinou um pré-contrato com a equipe Payton-Coyne. Tarso tem presença confirmada no Spring Training, teste coletivo de pré-temporada, em Miami, dias 3 e 4, que será o primeiro confronto entre os times da Indy com os novos carros.
Tarso pilotará uma Lola-Ford-Firestone e espera voltar a surpreender, como nas três primeiras sessões de testes na Payton-Coyne. Sem nunca ter andado num oval, o piloto marcou o melhor tempo no primeiro dia de treinos em Homestead, superando adversários experientes como Michael Andretti e Gil de Ferran. No circuito misto de Sebring, ficou a apenas 0s4 da melhor marca, do americano Al Unser Jr., da Penske.
O desempenho no oval surpreendeu o próprio piloto. Todo mundo falava o quanto era difícil andar rápido, mas em poucas voltas achei um bom ritmo. Quando olhou o carro, que tem o alinhamento torto, para ser capaz de fazer curvas apenas para a esquerda, Tarso até se assustou. Parecia que estava batido, conta o piloto.
Ele não quis dar palpite sobre o acerto nas primeiras voltas, mas, à medida que andava, ganhava confiança e arriscava as suas opiniões. Ficamos muito impressionados não só com a sua velocidade, mas com o seu conhecimento técnico, disse Dale Coyne, dono da equipe. Tarso marcou o tempo de 25s77, com um Reynard 97 adaptado com peças do ano passado.
Esta marca daria a Tarso Marques o 17º lugar do grid do último GP de Miami. Para um calouro num oval, com um carro defasado, treinando com pneus usados, o resultado foi excepcional.
Tarso comparou a pilotagem no oval com a forma de dirigir num misto. E notou uma curiosidade: Apesar da incrível velocidade, acima de 300 km/h, parece que nossos movimentos no carro são feitos em câmara lenta, contou. A gente tem de ser bem suave, enquanto no misto pode ser mais agressivo.
Tarso se surpreendeu também com a sensibilidade do carro de F-Indy às mudanças de acerto. Por ser um carro mais pesado e com bem menos tecnologia do que um F-1, esperava que suas reações fossem lentas, mas não são.
Ele venceu o preconceito contra o automobilismo americano e espera ter na Indy a oportunidade que não teve na Europa. Meu sonho continua sendo a Fórmula 1, que é o que eu amo, afirmou. Mas posso fazer muito mais numa equipe pequena da Indy: na Fórmula 1, mesmo os bons pilotos de times médios, como o finlandês Mika Salo e o holandês Jos Verstappen, estão estagnados. Ser piloto de testes na F- 1 já não é interessante porque o novo regulamento limitou o uso de pneus e o número de treinos.
Tarso agora espera fechar um acordo por toda a temporada com a Payton-Coyne, ou para fazer 13 etapas, dividindo o carro com o americano Dennis Vitolo, que correria em sete ovais. O time já tem US$ 2,5 milhões dos US$ 7 milhões de que precisa para um esquema competitivo, com carro de testes. Não quero repetir o erro da Minardi e fechar acordo sem garantia de treinar bastante.


