Mais um piloto brasileiro está trocando a Fórmula 1 pela Fórmula Indy: o paranaense Tarso Marques, que correu provas na Minardi, assinou um pré-contrato com a equipe Payton-Coyne. Tarso tem presença confirmada no Spring Training, teste coletivo de pré-temporada, em Miami, dias 3 e 4, que será o primeiro confronto entre os times da Indy com os novos carros.
Tarso pilotará uma Lola-Ford-Firestone e espera voltar a surpreender, como nas três primeiras sessões de testes na Payton-Coyne. Sem nunca ter andado num oval, o piloto marcou o melhor tempo no primeiro dia de treinos em Homestead, superando adversários experientes como Michael Andretti e Gil de Ferran. No circuito misto de Sebring, ficou a apenas 0s4 da melhor marca, do americano Al Unser Jr., da Penske.
O desempenho no oval surpreendeu o próprio piloto. ‘‘Todo mundo falava o quanto era difícil andar rápido, mas em poucas voltas achei um bom ritmo.’’ Quando olhou o carro, que tem o alinhamento torto, para ser capaz de fazer curvas apenas para a esquerda, Tarso até se assustou. ‘‘Parecia que estava batido’’, conta o piloto.
Ele não quis dar palpite sobre o acerto nas primeiras voltas, mas, à medida que andava, ganhava confiança e arriscava as suas opiniões. ‘‘Ficamos muito impressionados não só com a sua velocidade, mas com o seu conhecimento técnico’’, disse Dale Coyne, dono da equipe. Tarso marcou o tempo de 25s77, com um Reynard 97 adaptado com peças do ano passado.
Esta marca daria a Tarso Marques o 17º lugar do grid do último GP de Miami. Para um calouro num oval, com um carro defasado, treinando com pneus usados, o resultado foi excepcional.
Tarso comparou a pilotagem no oval com a forma de dirigir num misto. E notou uma curiosidade: ‘‘Apesar da incrível velocidade, acima de 300 km/h, parece que nossos movimentos no carro são feitos em câmara lenta’’, contou. ‘‘A gente tem de ser bem suave, enquanto no misto pode ser mais agressivo.’’
Tarso se surpreendeu também com a sensibilidade do carro de F-Indy às mudanças de acerto. ‘‘Por ser um carro mais pesado e com bem menos tecnologia do que um F-1, esperava que suas reações fossem lentas, mas não são.’’
Ele venceu o preconceito contra o automobilismo americano e espera ter na Indy a oportunidade que não teve na Europa. ‘‘Meu sonho continua sendo a Fórmula 1, que é o que eu amo’’, afirmou. ‘‘Mas posso fazer muito mais numa equipe pequena da Indy: na Fórmula 1, mesmo os bons pilotos de times médios, como o finlandês Mika Salo e o holandês Jos Verstappen, estão estagnados.’’ Ser piloto de testes na F- 1 já não é interessante porque o novo regulamento limitou o uso de pneus e o número de treinos.
Tarso agora espera fechar um acordo por toda a temporada com a Payton-Coyne, ou para fazer 13 etapas, dividindo o carro com o americano Dennis Vitolo, que correria em sete ovais. O time já tem US$ 2,5 milhões dos US$ 7 milhões de que precisa para um esquema competitivo, com carro de testes. ‘‘Não quero repetir o erro da Minardi e fechar acordo sem garantia de treinar bastante.’’

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