O técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, prevê dificuldades tão grandes nos dois jogos contra o River Plate, da Argentina, pelas semifinais da Taça Libertadores da América, como ocorreu diante do Corinthians. Ele até recomenda aos torcedores palmeirenses com problemas cardíacos, que façam check-up como prevenção. ‘‘Depois da classificação nos pênaltis, o coração pode não aguentar outra batalha’’, diz o técnico. ‘‘Vocês não imaginam o que é enfrentar um time argentino em Buenos Aires em jogos decisivos da Libertadores’’, afirmou Scolari, habituado a esse tipo de competição.
A primeira partida contra o River será quarta-feira, em Buenos Aires. O jogo de volta será dia 26, em São Paulo. Para Scolari, a partida de quarta-feira poderá ser decisiva para o Palmeiras chegar à decisão da Libertadores. Ele pretende voltar pelo menos com o empate de Buenos Aires. ‘‘Vamos enfrentar um adversário que usa muito a malícia e a catimba quando joga em casa com o apoio de uma torcida que não pára um segundo de apoiar a equipe.’’
Ele explicou que o River tem um time forte fisicamente, atua com dois atacantes sem posição fixa que entram em diagonal por trás da defesa. ‘‘O River tenta tirar proveito das bolas pelo alto e seus jogadores usam muito o corpo nas divididas’’, ressaltou Scolari. ‘‘Os juízes sul-americanos geralmente não marcam esse tipo de faltas.’’
O técnico explicou ainda, que, ao contrário do Palmeiras, o time argentino não participa no momento de nenhuma outra competição importante. Por isso, o River poderá preparar-se exclusivamente para os jogos contra a equipe brasileira. ‘‘Mas nós estamos disputando a classificação na Copa do Brasil e o Paulista, e temos tomar cuidado para evitar a fadiga muscular ou sérias contusões dos atletas’’, disse. ‘‘Portanto, essa situação é uma diferença muito grande entre as equipes.’’
Scolari ficou bastante emocionado com a classificação do Palmeiras anteontem no Morumbi. O treinador afirmou que não se perturbou no momento em que o adversário fez 2 a 0. ‘‘Tentei conseguir a classificação nos 90 minutos, por isso Euller entrou na equipe’’, afirmou. ‘‘Acho que o jogo foi equilibrado e mostrou que um time como o Corinthians pode superar muita pressão, e conseguiu uma vitória no tempo normal que muitos entendiam como impossível.’’
O técnico do Palmeiras destacou que a tranquilidade dos seus jogadores na hora da cobrança dos pênaltis foi decisiva. E mais: ressaltou que a palestra feita pelo jornalista Roberto Monteiro na concentração, pouco antes do jogo, foi importante para seus jogadores conhecerem melhor o tipo de adversário que iriam enfrentar. ‘‘Monteiro nos falou das crises que o Corinthians, ao longo da sua história, superou, e os resultados que reverteram com a ajuda da sua torcida.’’
Retrospecto - O Palmeiras já chegou a duas finais da Libertadores, mas não foi campeão, enquanto o River Plate foi finalista três vezes, conquistando o título uma vez, em 1986, contra o América, da Colômbia. O time paulista perdeu o título em 1961 para o Pe¤arol, quando foi derrotado por 1 a 0, no Estádio Centenário, e empatou no Pacaembu em 1 a 1. Em 1968, na decisão com o Estudiantes, da Argentina, o Palmeiras venceu o primeiro jogo por 3 a 1, em casa, mas perdeu as duas partidas seguintes na Argentina por 2 a 1 e 2 a 0.
O Deportivo Cali, adversário do Cerro Porte¤o na outra semifinal, já conquistou um vice-campeonato em 1978. O Cerro nunca disputou uma final.

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