De vez em quando é bom ver o brasileiro perder. Prova que somos um país sem memória, que se apega sempre ao presente, sem perdoar um deslize, uma derrota, um vice-campeonato. Imagine na Olimpíada de 2016...
Retirei esse texto de uma coluna já publicada aqui neste mesmo espaço, após o Brasil não faturar o último Mundial de Clubes. E antes que alguém comece a me xingar, vá até o fim do texto e reflita.
Ser o segundo melhor do mundo, para alguns, é ser o primeiro dos últimos. E nós, brasileiros, do alto de nossa "cultura esportiva", de investimento contínuo nas últimas décadas, de briga pela liderança em quadro de medalhas das Olimpíadas, não sabemos perder. E assim crucificamos times inteiros, rotulamos gerações, chamamos Diegos, Daianes e Cielos da vida de amarelões quando o resultado não é o alto do pódio. Nem sequer um time acostumado a ganhar quase tudo é poupado. E esta última categoria se enquadra na derrota de ontem do Brasil para a Polônia, impedindo o quarto título consecutivo no Mundial.
O time atual do Brasil tem batido na trave nas últimas grandes competições. Foi assim em Londres-2012, em edições recentes da Liga e agora no Mundial. Ainda assim, tem se mantido entre os melhores.
Mas deixou de ter a dinastia no esporte. Faz parte e é um fato. Mas preferimos sempre achar um bode expiatório para o revés. E isso serve para torcedores, jornalistas e até os protagonistas do jogo. A entrevista pós-jogo de Bernardinho culpou até um "repórter convidado pela FIVB, tratado como inimigo nacional e que ficava rindo perto do banco de reservas". Ora bolas. A Polônia foi melhor, se recuperando de um primeiro set ruim para vencer um time que era TRICAMPEÃO DO MUNDO, em caixa alta mesmo para ter a dimensão do feito. Ponto final.
Os grandes vencedores também precisam saber perder.

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