Existe uma verdade no tênis: um torneio do Grand Slam não se ganha na primeira semana, só se perde. Favoritos comprovaram esta tese, nestes dias em Melbourne. Depois de Gustavo Kuerten, outros grandes nomes caíram antes do início da segunda semana, como o russo Marat Safin, eliminado pelo eslovaco Domink Hrbaty, por 6/2, 7/6 (8/6) e 6/4, e o norte-americano Pete Sampras, que perdeu para o compatriota Todd Martin por 6/7 (7/2), 6/3, 6/4 e 6/4, enquanto Andre Agassi e Patrick Rafter souberam como superar os primeiros obstáculos e já alcançaram às quartas-de-final.
A disputa de um Grand Slam exige mesmo uma atenção especial. Guga entrou no seu primeiro torneio desta categoria como cabeça-de-chave número 1, sentiu a pressão e perdeu para um adversário, Greg Rusedski, de estilo que o brasileiro já aprendeu a superar.
Com a queda de Guga, o favoritismo e a liderança do ranking mundial passaram para o russo Marat Safin. Bastou assumir o novo status para não conseguir mais impor o seu eficiente tênis. Perdeu num dia que definiu como desastroso e, apesar da derrota, irá aparecer como número 1 da lista de entradas, no dia 29, um dia depois da final do Aberto da Austrália.
‘‘Este jogo foi um desastre’’, definiu Safin sua derrota para Hrbaty. O mesmo não podia dizer Dominik Hrbaty, que teve uma atuação impecável, talvez beneficiada pela sua condição de não favorito. ‘‘Não me lembro de ter jogado tão bem nos últimos tempos’’, disse. ‘‘Saquei como nunca’’. Hrbaty aplicou 11 aces e ganhou 113 pontos do jogo, contra apenas 88 em favor de Safin.
A síndrome da primeira semana também atingiu o experiente Pete Sampras. O tenista norte-americano precisou se desgastar muito nas primeiras rodadas, em que jogou quatro sets para superar o eslovaco Karol Kucera, depois outros quatro diante checo Bohdan Ulihrach, e cinco para vencer o argentino Juan Inagcio Chella.
Contra Todd Martin, Sampras já estava esgotado e não teve como evitar a eliminação. ‘‘Tive uma lição de tênis com o Martin’’, disse Sampras que já conquistou 13 títulos do Grand Slam. ‘‘Ele mereceu todos os créditos nesta vitória, devolveu bem o meu serviço e sacou bem nos momentos de pressão’’, prosseguiu. ‘‘Mas eu posso garantir que ainda tenho condições e motivação para lutar por mais alguns títulos do Grand Slam’’.
Enquanto isso, Agassi conseguiu guardar energias e chegou às quartas-de-final com vitória sobre o australiano Andrew Ilie por 6/7 7/1), 6/3, 6/0 e 6/3. Patrick Rafter garantiu a torcida australiana no torneio ao superar o inglês Tim Henman por 6/2, 6/3 e 6/3.
No feminino, a norte-americana Monica Seles, quatro vezes campeã do Aberto da Austrália, ganhou da belga Justine Henin por 4/6, 6/4 e 6/4; Jennifer Capriati (EUA) de Marta Marrero (Espanha) por 7/5 e 6/1; Ana Kournikova (Rússia) de Barbara Rittner (Alemanha) por 6/3 e 6/1; e Lindsay Davenport (EUA) de Kim Clijsters (Bélgica) por 6/4 e 6/0.

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