Cinco derrotas consecutivas, 14 gols tomados (média de 2,8) e apenas 2 marcados (média de 0,4). Contrariando o hábito dos clubes brasileiros, o retrospecto acima não fez a diretoria do São Paulo demitir o técnico Nelsinho Batista. Os dirigentes tiveram uma reunião ontem de manhã, no Morumbi, e decidiram manter o treinador no cargo.
A sequência de derrotas da equipe vem desde o dia 9 de agosto, quando foi superada pelo Cruzeiro (2 a 0) e perdeu por contusão seus dois principais jogadores - os meias Raí e Carlos Miguel. No domingo, o tricolor foi derrotado para o Santos por 3 a 1, de virada.
‘‘Foi uma reunião muito inteligente. Discutimos a atual situação do São Paulo’’, afirmou Nelsinho Batista. O treinador recusou-se a dar detalhes do encontro com os diretores do clube.
Nelsinho afirmou que em nenhum momento temeu por seu emprego. ‘‘O São Paulo sempre deu tempo para o seu treinador trabalhar. Isso acontece desde a época em que eu ainda era jogador do time (na década de 70).’’
O São Paulo, no entanto, não teve a mesma condescendência com Dario Pereyra, antecessor de Nelsinho. O uruguaio foi demitido após uma derrota para o Fluminense no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. Havia sido a primeira derrota do time em oito jogos na temporada 98.
‘‘Precisamos errar menos. Está na hora de os jogadores darem algo a mais para o São Paulo’’, disse Nelsinho, revelando a ‘‘receita’’ para a equipe retomar a sequência de bons resultados.
A primeira medida tomada pelo técnico para tirar ‘‘algo a mais’’ dos atletas foi aumentar a carga de treinos. Hoje a equipe treinará em dois períodos para a partida de amanhã, contra o América-RN. Inicialmente, estava previsto apenas um treino à tarde.
O presidente do São Paulo, José Augusto Bastos Neto, disse após a reunião de ontem que seria incoerente demitir Nelsinho por causa dos resultados negativos do time. ‘‘Há três meses (após a conquista do Campeonato Paulista), todos consideravam o Nelsinho o melhor técnico do mundo’’, afirmou o dirigente.
Para tentar combater a crise, a diretoria são-paulina voltou a pensar na contratação de reforços. ‘‘Precisamos alguém para compor o setor do Márcio Santos e do Bordon (defesa). Mas estamos num período difícil, já que os grandes jogadores brasileiros estão indisponíveis, pois já jogaram no campeonato’’, afirmou.
Segundo o regulamento do Brasileiro, um atleta não pode ser transferir para outro clube depois de ter jogado uma partida da competição. Com isso, a opção passa a ser um atleta estrangeiro. O presidente do São Paulo deve indicar Pérsio Rainha para trabalhar com Manoel Poço na diretoria de futebol.

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