Valmir Denardin
O México adotou a reclusão completa para se preparar para o confronto mais importante do Grupo B da Copa América, amanhã, contra o Brasil. A equipe está concentrada no Hotel Iguassu Golf, um sofisticado clube de golfe de Foz do Iguaçu, alugado pela Federação Mexicana durante o torneio. Os 20 apartamentos, distribuídos em chalés, são ocupados exclusivamente pelos 67 integrantes da delegação e alguns jornalistas mexicanos.
O isolamento está permitindo a realização de treinos secretos. Desde a chegada da delegação, há duas semanas, ontem foi a primeira vez que jornalistas brasileiros puderam acompanhar um treino dos mexicanos. Foi pela manhã: um rápido coletivo, interrompido pela chuva. Hoje e amanhã, o técnico Manuel Lapuente proibiu o acesso da imprensa ao hotel.
Jornalistas mexicanos garantem que a atitude é mais uma característica do técnico do que precaução exagerada em relação ao jogo com o Brasil. Nesse raciocínio, a escolha do hotel teria sido estratégica.
O jogo de amanhã é decisivo para as duas seleções. Brasil e México vêm de vitórias na primeira rodada, anteontem - o México derrotou o Chile por 1 a 0 e o Brasil goleou a Venezuela por 7 a 0. Lideram o Grupo B, com três pontos.
Quem vencer o confronto, garantirá virtualmente a primeira colocação no grupo. Permanecerá jogando em Ciudad del Este - e, consequentemente, hospedado em Foz do Iguaçu - nas quartas-de-final. O segundo colocado irá para Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com Ponta Porã (MS). Na próxima terça-feira, o Brasil enfrenta o Chile, da dupla de ataque Salas-Zamorano. O México pega a fraca Venezuela.
A goleada aplicada nos venezuelanos pelo Brasil aparentemente não intimidou o técnico do México. ‘‘Não tememos ninguém, mas respeitamos todos’’, disse Lapuente. Ele não afirmou taxativamente que a equipe jogará mais recuada para tentar frear o forte ataque brasileiro. Mas deu uma dica: ‘‘Não jogar na defesa com o Brasil seria um suicídio. Mas também não podemos ser apenas defensivos’’. Para o técnico, o time que busca um empate ‘‘consegue sempre uma derrota’’.
No jogo de amanhã, Lapuente deverá poupar os meias Ramón Ramirez e Miguel Cepeda, punidos com cartão amarelo no jogo contra o Chile. ‘‘Não digo que vou trocar os dois, mas tenho que considerar’’, despistou. ‘‘Mas os jogadores me dão boas possibilidades de mudanças táticas.’’
O técnico não considerou a vitória sobre o Chile um resultado satisfatório. ‘‘Poderíamos ter feito dois ou três (gols). Isso seria o verdadeiro reflexo da partida’’, afirmou.
O atacante Luis Hernández, autor do gol contra o Chile e artilheiro da última Copa América (com sete gols), já não tem muita esperança de repetir o feito nesta edição do torneio. Ele disse considerar a defesa brasileira ‘‘bem coordenada, mas há formas de vencê-la’’.
Claudio Suárez, zagueiro da Seleção Mexicana, classificou de ‘‘impressionante’’ a goleada brasileira contra a Venezuela. Ele prometeu atenção redobrada para tentar impedir que Ronaldo, Ronaldinho e Amoroso cheguem ao gol. No jogo com o Chile, a defesa mexicana teve atuação destacada, conseguindo neutralizar a dupla Salas-Zamorano, considerada uma das melhores do mundo na atualidade.Time do técnico Manuel Lapuente promove treinos secretos para decidir, amanhã, no Paraguai, o primeiro lugar do Grupo B
Ney de SouzaEsforço necessárioLuis Hernández faz alongamento no treino de ontem de manhã: para ele, a zaga brasileira pode ser vencida

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