E o Flu avisa: não disputará Terceirona
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quarta-feira, 07 de outubro de 1998
Agência Estado 
O Fluminense chegou ao fundo do poço e está rebaixado à Série C do Campeonato Brasileiro. O clube carioca com o maior número de títulos estaduais (28), campeão nacional em 1984 e berço de craques consagrados como Gérson, Telê Santana, Pinheiro, Félix, Didi, Carlos Alberto Torres, Paulo César Caju, Edinho e, por último, Branco, deixou em estado de choque 2,4 milhões de torcedores espalhados por todo o Brasil - este é o número de tricolores no País, de acordo com pesquisa recente do Ibope.
O descenso veio com o empate de 1 a 1 com o ABC, anteontem à noite, em Natal. O Flu foi rebaixado junto com Juventus-SP, Volta Redonda-RJ, Americano-RJ, Náutico-PE e Atlético-GO.
Dirigentes do clube dizem que não vão disputar a Série C. O Fluminense não jogará pela Terceira Divisão, afirmou o presidente Davi Fischel. Os cartolas do tricolor lutarão agora pela criação da Liga Nacional - uma entidade administrativa que reuniria os principais clubes do País e organizaria um novo Campeonato Brasileiro, já a partir de 1999. Flamengo e Botafogo apóiam a idéia do Fluminense.
Para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), porém, a Liga Nacional representaria uma virada de mesa no Campeonato Brasileiro para beneficiar clubes grandes rebaixados por deficiência técnica. A informação é do diretor do Departamento Técnico da CBF, Gilberto Coelho. Ele ressaltou que a entidade não será conivente com essa eventual manobra. Esta é uma decisão do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse Coelho.
O Fluminense foi rebaixado para a Série B por duas vezes consecutivas: em 1996 e 1997. Na primeira, conseguiu articular sua permanência na elite do futebol ao apontar irregularidades na competição e se apresentar como um dos clubes prejudicados por um suposto esquema na arbitragem. Em 1997, desmoralizado, não esboçou reação.
O Fluminense acumula dívidas e perdeu o rumo. O clube deve R$ 35 milhões entre impostos, tributos, dívidas trabalhistas e salários atrasados. A receita é de apenas R$ 200 mil, dinheiro arrecadado do quadro social. Nós somos gestores de uma massa falida, declarou José Carlos Torres Coelho, vice de Futebol. Com o rebaixamento, o Fluminense espantou possíveis patrocinadores. Estávamos para fechar um ótimo contrato e esse desastre prejudicará as negociações, revelou Fischel.
Em busca de soluções, a diretoria do Fluminense saneará diversos setores do clube. No futebol, já afastou a comissão técnica e deverá fazer o mesmo com todos os jogadores. Dos 53 do elenco, 18 são juniores e voltarão a treinar no centro esportivo de Xerém, na Baixada Fluminense. Os outros 35 vão ser negociados. Podemos até dar passe livre para alguns, disse o presidente.
O único craque da equipe, o meio-de-campo Branco, poderá permanecer no clube. Por mim, ficarei, mas é preciso uma reformulação administrativa no Fluminense. No desembarque do time no Rio, ontem pela manhã, Branco, apesar de abatido, tentou demonstrar otimismo. Sei o que a torcida sente e estou muito triste, mas sei também que dias melhores estão por vir.
A delegação foi recebida sob vaias e protestos, ontem de manhã. Muitos jogadores se esconderam na parte interna do aeroporto, temendo possíveis linchamentos. Foi o caso do zagueiro Adilson. Ele chegou a cruzar o portão de desembarque. Mas, ao ouvir o coro de encerra a carreira, o jogador voltou ao desembarque, de onde só saiu após certificar-se de que os torcedores tinham ido embora. Segundo funcionários do Aeroporto, o zagueiro chegou a chorar e queria pegar um avião que estava na pista. Um dos poucos jogadores que tomaram coragem de encarar a torcida foi o lateral esquerdo Branco, contratado recentemente para tentar tirar o time do sufoco.


