É matar ou morrer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de junho de 1998
Agência Estado 
Nantes ou o Aeroporto Charles de Gaulle. São os dois destinos possíveis para a Seleção Brasileira, após o jogo de hoje, às 16 horas, em Paris, contra a do Chile, pelas oitavas-de-final da 16ª Copa do Mundo. A primeira opção representa o local da partida pelas quartas-de-final, diante da Dinamarca ou Nigéria, marcada para o dia 3, no Estádio de la Beaujoire. A segunda ocorrerá se o time do técnico Zagallo tropeçar nos chilenos e for eliminado do Mundial.
O atacante Bebeto não participou da pelada de dois toques que a Seleção Brasileira fez ontem à tarde, em metade do campo, no Estádio Parque dos Príncipes, local da partida de hoje. Ele fez aquecimento normalmente, junto com os companheiros. Era o único que calçava tênis em vez de chuteiras. Durante grande parte da pelada, ficou correndo em volta dessa metade do campo em que os outros se divertiam. Segundo o técnico Zagallo, está escalado para enfrentar o Chile. Bebeto está bem, não está com febre, disse, bem-humorado, o treinador.
A derrota para a Noruega, terça-feira, em Marselha, em nada alterou a situação do Brasil, que se manteve líder do Grupo A, credenciado para a disputa por uma vaga nas quartas-de-final com o segundo colocado do B, o Chile. Mas, agora, a equipe não pode perder mais. A Copa do Mundo entra na fase do mata-mata, em que só o vencedor segue adiante, enquanto ao perdedor só resta o aeroporto. A delegação brasileira está preparada para as duas possibilidades.
O vencedor classifica-se diretamente para a fase seguinte. Se houver empate nos 90 minutos, os dois times disputarão uma prorrogação, com dois tempos de 15 minutos. Mas, se houver gol nessa prorrogação, a equipe que marcá-lo fica com a vaga, pelo sistema de gol de ouro, ou morte súbita. Caso o empate persista, a decisão vai para os pênaltis. Após a pelada de ontem, todo o elenco, à exceção de Bebeto, treinou cobranças de pênalti.
Zagallo escala, diante do Chile, a formação que deu ao Brasil seus melhores momentos na Copa do Mundo da França: no segundo tempo da vitória sobre a Escócia, na abertura da competição, no Estádio da França, em Saint-Denis, e nos 3 a 0 sobre Marrocos, em Nantes. Aldair, poupado na derrota para a Noruega para não receber o segundo cartão amarelo, volta a compor a dupla de zagueiros com Júnior Baiano. Os cartões dos dois zagueiros de área foram zerados nas oitavas-de-final.
No meio-de-campo, o volante César Sampaio, que cumpriu, diante dos noruegueses, sua suspensão por causa do segundo cartão amarelo, retorna. Com isso, Leonardo volta a jogar mais adiantado, ao lado de Rivaldo, e Denílson fica mais uma vez no banco de reservas, como principal opção ofensiva do time.
Na frente, a expectativa fica mais uma vez em torno de Ronaldinho. Ele tem decepcionado na Copa do Mundo em que entrou como a maior estrela. Movimentou-se bem e criou boas chances de gol contra Escócia e Marrocos, tendo até aberto o marcador na segunda partida, mas não tem sido o goleador implacável que se esperava de quem foi eleito pela Fifa, nos dois últimos anos, o melhor jogador do mundo.
A resposta à preocupação brasileira estará no Parque dos Príncipes: ou o Brasil segue em frente ou passa a ver a Copa pela TV.


