É MATAR OU MORRER
Albari RosaRonaldo arranca contra a zaga chilena: atacante busca reabilitação definitiva com a torcida brasileira
É MATAR OU MORRER
Luiz Claudio Oliveira
e Rogério Fischer
Enviados da Folha
Brasil e Argentina decidem hoje, a partir das 18h05, quem permanece para a fase semifinal da Copa América. O jogo será no Estádio Tres de Febrero, em Ciudad del Este. Se a partida terminar empatada nos 90 minutos, será decidida na cobrança de pênaltis. Quem ganhar fica e quem perder vai para casa nesta disputa que pode ser considerada a final antecipada da competição.
A Seleção Brasileira joga com o time completo, como quer o técnico Wanderley Luxemburgo, com exceção apenas de Vampeta, contundido. Já a Argentina está sem cinco jogadores que poderiam ser considerado titulares - Sensine, Veron, Claudio Lopes, Redondo e Batistuta. Trata-se de um clássico do futebol mundial e, como em todo clássico, não há favoritos, alerta Luxemburgo.
Este pode ser considerado o jogo mais importante do técnico à frente da Seleção. É um clássico. E decisivo. Se vencer, o time brasileiro jogará na quarta-feira com o vencedor de Peru x México - que jogariam ontem, em Assunção. Luxemburgo convoca amanhã os jogadores que vão participar da Copa da Confederações, a partir do dia 24, no México. A viagem para esta competição depende de quando o Brasil deixará a Copa América.
O time brasileiro treinou durante a semana a melhor forma de enfrentar o esquema tático argentino. O técnico platino Marcelo Bielsa armou a Argentina com três zagueiros, dois alas, três no meio-de-campo e dois atacantes, com a variação de poder ter três atacantes.
É um time que marca forte, como sempre fazem os argentinos, mas de velocidade nos contra-ataques. O zagueiro Ybarra deve perder o lugar no time para Pochettino. Ortega pode não voltar à Seleção, depois de ter cumprido três jogos de suspensão, pois o técnico está confiando no entrosamento de Schelotto, Palermo e Riquelme. Os três jogam no Boca Juniors e são os responsáveis pelo ataque.
Luxemburgo vem treinando o time brasileiro para, com muita movimentação, fugir da marcação argentina. Instruiu os zagueiros e volantes para evitar as faltas próximas à área pois os argentinos têm várias jogadas ensaiadas.
Mas o técnico brasileiro não pensa só em defesa. Meu estilo é pôr o time pra vencer, não cansa de repetir Luxemburgo. Ele terá Rivaldo, Amoroso e Ronaldo preocupados apenas em procurar o gol. Estes três prometem dar trabalho aos três zagueiros argentinos.
Zé Roberto e os laterais - principalmente Roberto Carlos, pela esquerda - também têm autorização para se movimentar pelo ataque. Com a saída de Vampeta, a Seleção Brasileira perde o apoio do volante pela direita, nas jogadas com Cafu. Rivaldo deve tentar fazer a jogada pela direita com o lateral.
Os atacantes brasileiros Ronaldo, Amoroso e Rivaldo já estão acostumados a enfrentar equipes que jogam com três zagueiros. Meu time na Itália, a Udinese, joga assim, no três-quatro-três ou no três-quatro-um-dois; portanto já estou bastante acostumado, afirma Amoroso. O atacante foi o artilheiro da temporada passada do Campeonato Italiano, com 22 gols. Rivaldo foi artilheiro do Campeonato Espanhol, com 24 gols.
O atacante Ronaldo não esconde uma certa ansiedade para esse confronto. Ele acredita que uma vitória sobre a Argentina pode reabilitá-lo de vez perante os torcedores brasileiros. Já sem as dores no joelho, que o vinham incomodando desde a Copa de 98, na França, o atacante demonstrou boa recuperação física nos três jogos do Brasil pela primeira fase da Copa América.
Contra Venezuela, México e, mais recentemente, contra o Chile, Ronaldo movimentou-se bastante, buscou jogo, deu arrancadas, deixando zagueiros para trás, fez três gols (divide a artilharia do torneio com o colega Amoroso, o rival de hoje Palermo e o paraguaio Roque Santa Cruz). Mas ainda não está satisfeito:
- Pequei demais nas conclusões - admite o artilheiro, que tem utilizado uma tática pacienciosa para tentar corrigir os defeitos: tem visto e revisto os teipes de jogos para observar sua atuação.
- Minha condução de bola tem sido boa, os arranques também. Acho que preciso melhorar a finalização. Preciso ter um pouquinho mais de tranquilidade.
Sobre o clássico de hoje, Ronaldo afirma não ter medo da catimba e da violência argentina - Cara feia para mim é fome, diz - e que o clima para a partida é o de uma quarta-de-final em que o perdedor sai. E demonstra determinação:
- Agora é matar ou morrer.





