O técnico Wanderley Luxemburgo escapou por pouco de um crime de estelionato em Brasília. Um ‘‘falso’’ Nilton Santos, de boa aparência, educado e exímio imitador do bicampeão mundial de futebol, tentou receber de Luxemburgo R$ 1 mil em troca de 50 cotas de uma rifa ‘‘fantasma’’. Na terça-feira, o homem ligou para o hotel da seleção, identificou-se como Nilton Santos e pediu à telefonista um contato com o ‘‘amigo’’ Luxemburgo (foto). Na rápida conversa com o técnico, o homem, cuja voz rouca era idêntica à do ex-lateral-esquerdo do Brasil nas Copas de 58 e 62, demonstrou estar bem informado sobre futebol: fez elogios à seleção, desejou sorte a Luxemburgo e disse que o lateral Felipe, do Vasco, tinha futuro por ser muito habilidoso.
‘‘Eu achei mesmo que era o Nilton Santos, com aquela rouquidão, e fiquei orgulhoso de falar com um dos mestres do passado’’, contou Luxemburgo. Para terminar o bate-papo, o falso Nilton Santos relatou ao treinador que passava por dificuldades financeiras e que precisava do seu apoio para saldar algumas dívidas. Como Luxemburgo se mostrou prontamente disposto a ajudá-lo e comovido com a história, o homem disse-lhe, então, que enviaria um emissário de confiança ao hotel em menos de 40 minutos.
O encontro ocorreu numa área reservada do hotel. O emissário - na verdade, o mesmo homem que imitava Nilton Santos - apresentou-se como amigo de Nilton Santos e explicou que o ex-craque estava muito constrangido com a situação. Foi quando retirou da bolsa uma cartela, ainda em branco, com os 50 números referentes à rifa de uma medalha, que teria sido adquirida pelo verdadeiro Nilton Santos após a conquista do bicampeonato. Luxemburgo preencheu um cheque de R$ 1 mil e ainda foi advertido pelo homem de que deveria cruzá-lo ‘‘para evitar um problema qualquer’’.
A conversa fluía com informalidade no momento em que Luxemburgo, num esforço de memória, lembrou-se da fisionomia do homem - o mesmo que tentara lhe aplicar um golpe há vários anos. Mesmo hesitante, o técnico pediu o cheque de volta e disse que o entregaria pessoalmente a Nilton Santos. ‘‘Tive um estalo e recuei, enquanto o cara-de-pau manteve a pose e chegou a me dizer que eu o estava humilhando com aquilo tudo’’, disse o técnico.
Os dois despediram-se e, minutos depois, um amigo de Luxemburgo telefonava para o número deixado pelo falso Nilton Santos para tirar dúvidas. Ninguém atendera. Mais tarde, em outra ligação, o mesmo homem, com a mesma voz rouca, lamentava o episódio e dizia-se arrasado. A farsa começou a ser desfeita anteontem à noite, quando o verdadeiro Nilton Santos, que mora em Brasília, entrou em circuito. ‘‘Quero pegar esse cafajeste que vem usando o meu nome para conseguir dinheiro dos outros’’, disse o ex-lateral.
Ele assistiu ao fim do treino da seleção no Estádio Mané Garrincha e contou a Luxemburgo que está à procura do farsante há várias semanas. ‘‘Quero ver esse sem-vergonha na cadeia.’’ O número do telefone do criminoso foi repassado à Polícia Civil e à Polícia Federal de Brasília.

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