E Luxemburgo diz que não vai pedir demissão
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Wanderley Luxemburgo não usará a força do dinheiro para se agarrar ao cargo de técnico da seleção brasileira. Basta o presidente Ricardo Teixeira dizer que não está satisfeito com seu trabalho que ele não criará dificuldades para abandonar o cargo.
Não serão R$ 3 milhões ou R$ 5 milhões que irão me segurar na seleção. Não fico por dinheiro. Só continuo o meu trabalho se o presidente Ricardo Teixeira quiser. Vou revelar uma coisa que ninguém sabe: não existe multa alguma com a CBF. Recebo os meus salários e ponto final! Não fiz cláusula prevendo multa. Não quero um tostão de multa. Mas eu garanto uma coisa: demissão eu não peço porque acredito no meu trabalho! Quero dirigir a seleção até a Copa do Mundo de 2002, disse o treinador, que pode perder o cargo após a prematura desclassificação do futebol masculino brasileiro nos Jogos de Sydney.
Luxemburgo nega estar em depressão, enfrentando sucessivas crises de choro, como tem sido divulgado. Não estou morto como muita gente deseja! Continuo triste por causa da Olimpíada. Ninguém queria ganhar mais a medalha de ouro do que eu. Mas não vou me abater, como sonham as pessoas que querem me prejudicar. Tinha a opção de voltar escondido ou ficar mais tempo nos Estados Unidos, até esfriar os ânimos depois da eliminação na Olimpíada. Mas fiz questão de encarar as pessoas de frente. Sou um técnico de futebol que tentou ganhar a medalha de ouro e não conseguiu. Não sou nenhum bandido para me esconder, disse, irritado.
O treinador continua fiel ao presidente Ricardo Teixeira. Em momento algum ele confirma o que já é público: não foi Luxemburgo quem vetou Romário ou qualquer outro atleta com mais de 23 anos para levar à Olimpíada de Sydney. Foi o próprio Teixeira. Não quero mais ninguém além do pessoal que conseguiu a vaga para a Olimpíada. Não quero contaminar o grupo. A ordem do presidente da CBF foi dada logo após o desembarque depois da derrota da seleção brasileira diante do Chile nas Eliminatórias da Copa.
O técnico não quis se alongar sobre a reação da população no aeroporto de Cumbica na sua chegada. Ele escapou por pouco de apanhar. O que eu tenho a dizer é que lamento muito não ter podido dar uma entrevista coletiva decente, explicar o que aconteceu. Infelizmente, não houve jeito.


