Com um ar misterioso, o técnico Levir Culpi entrou num dos campos de treinamento da Toca da Raposa. Observou atentamente os passos dos volantes Valdir e Ricardinho, mas não quis definir a escalação do Cruzeiro para o jogo contra o Corinthians, domingo à tarde, no Morumbi, na segunda partida das finais do Brasileiro.
Os dois jogadores participaram da partida contra o Palmeiras, pela Copa Mercosul. Apesar de o gramado do Mineirão estar molhado por causa da chuva, ambos agradaram ao treinador e poderão até começar jogando. ‘‘São atletas que estão no mesmo nível dos atuais titulares’’, explica Levir, sem revelar sua estratégia.
Valdir e Ricardinho, na verdade, chegaram a atuar na equipe principal, o que os levou à seleção brasileira. Saíram do time por contusão e lutam por uma nova chance. Valdir sofreu uma contratura muscular na coxa direita, ficando 70 dias afastado da bola. Ricardinho, com uma fissura no tornozelo direito, tornou-se um ilustre torcedor desde o dia 21 de outubro, após a vitória por 4 a 0 sobre o Bragantino, no interior paulista.
As esperanças de Valdir e Ricardinho aumentaram quando Levir admitiu a possibilidade de escalar quatro jogadores no meio- de-campo, para neutralizar a força adversária no setor. ‘‘O Corinthians tem atletas fortes no meio, como o Rincón, o Gilmar e o Vampeta, e o Cruzeiro precisa ganhar a disputa nessa parte do campo’’, comenta o preparador.
Os jogadores, embora estejam animados, preferem ser diplomáticos. ‘‘Os escolhidos, com certeza, vão representar bem a equipe em São Paulo’’, arrisca Valdir. Para Ricardinho, o técnico Levir Culpi tem boas opções para o meio. ‘‘Em decisões, temos de pensar no grupo.’’ O único preocupado com possíveis alterações é o volante Marcos Paulo, titular que foi poupado na Mercosul. ‘‘Vou esperar uma decisão do treinador.’’
Levir também poderá deixar no banco o atacante Marcelo Ramos, uma vez que não tem opções ofensivas para o segundo tempo. Alex Alves, a arma secreta, nem viaja para São Paulo, pois ainda precisa cumprir mais um jogo de suspensão. Na defesa, o lateral-esquerdo Gilberto retorna ao time e Gustavo, à sua posição natural, no lado direito.
O mistério é, realmente, no meio-de-campo. ‘‘Estou feliz por poder ter à disposição jogadores com características diferentes, importantes para fazer alterações táticas durante a partida’’, revela Levir. ‘‘Nomes, no entanto, só serão definidos no domingo, antes do jogo.’’
Superstição - O técnico do Cruzeiro, Levir Culpi, não se considera uma pessoa supersticiosa, mas não dispensa uma série de procedimentos ligados a sorte e azar antes dos jogos, geralmente definidos pelo restante do grupo. É o caso, por exemplo, das camisas brancas, com as quais o Cruzeiro conseguiu importantes vitórias no Brasileiro - a última diante do Palmeiras, por 2 a 1, no Mineirão, quarta-feira, quando os mineiros saíram em vantagem na decisão da Mercosul. ‘‘Não sou supersticioso, mas respeito as crenças dos outros, principalmente dos jogadores’’, disse. ‘‘Isso acontece em relação ao segundo uniforme, que tem dado sorte ao time: quando o grupo me comunica que quer atuar com ele, e quando isso é possível, não faço objeções’’, acrescentou.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Trunfo mineiroMuller corre em um dos campos da Toca da Raposa: escalação do Cruzeiro só será anunciada domingo à tarde, no Estádio do MorumbiAgência Estado

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