Se depender de uma família de Curitiba, o tênis brasileiro ainda vai brilhar muito no cenário mundial. Renato e Teliana são dois legítimos campeões: ele é campeão estadual júnior; ela já venceu o paranaense e o brasileiro de tênis, na categoria infantil. Para completar, o irmão José Pires Júnior, de 9 anos, é grande promessa do tênis paranaense.
A história de Renato, Teliana e Júnior no esporte começou há 9 anos, quando o pai deles largou a família no sertão alagoano para procurar trabalho no Sul. José Pereira da Silva, 39, anos, pai de seis filhos, estava cansado de ver seus filhos passando fome, trabalhando na roça e sem estudar. Decidido, andou mais de dois anos à procura de um emprego até que conheceu o francês Didier Rayon em Curitiba. Dali em diante sua vida mudaria radicalmente. ‘‘Nossa relação foi se fortalecendo até que pude trazer toda minha família para cá.’’
A academia Team Daniel Conte funciona em Curitiba há cinco anos. O proprietário é o professor Dedier Rayon, 39 anos, que chegou ao país para uma visita a amigos e nunca mais voltou. Foi ele quem descobriu o talento de Renato e Teliana, que jogam já há cinco anos. ‘‘Mas eles têm outro irmão que ainda vai dar muito o que falar’’, conta, referindo-se a José Pereira Júnior.
A grande craque da prole do seu José Pereira é Teliana. Com 11 anos de idade e jogando há quatro, Teliana ganhou tudo que disputou. Foi campeã infantil até 12 anos, é a primeira no ranking paranaense e iniciou este ano como a melhor do Brasil. Em 2000 venceu o Brasileiro em Ponta Grossa e também ganhou o torneio de Maringá, só que disputando pela categoria 14 anos. ‘‘Ela é a melhor tenista que já vi jogar’’, diz o técnico coruja. ‘‘Bate muito bem na bola, tem um voleio sensacional, é extremamente competitiva e técnica.’’
Renato Pereira, 15 anos, atual campeão estadual, é um dos destaques na sua idade. Dono de um talento inconfundível no fundo de quadra e uma potente batida, Renato é, segundo o técnico Dedier, nome certo entre os grandes tenistas brasileiros em um futuro próximo. ‘‘Tem um jogo agressivo e uma determinação inigualável’’, conta o treinador.
O atleta, que até os nove anos trabalhava na roça, conta que o que mais gosta de fazer é jogar tênis. Determinado e sonhador, Renato diz que espera tudo do tênis. ‘‘Quero ser o número um do mundo, vencer os principais torneios para poder ajudar aos meus amigos que ficaram no Nordeste passando fome’’, diz.

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