E a Venezuela chega, sem ilusões
Valmir Denardin
Sem o goleiro Dudamel - único de seus jogadores conhecido pela maioria dos brasileiros, por ter sido destaque na Libertadores da América, atuando no Deportivo Cali, da Colômbia - a seleção da Venezuela desembarcou ontem em Foz do Iguaçu. Considerada a equipe mais fraca do Grupo B da Copa América, a Venezuela é o adversário da estréia do Brasil no torneio, na próxima quarta-feira, em Ciudad del Este, no Paraguai.
O substituto de Dudamel é o jovem goleiro Renny Vega, de 19 anos, revelado recentemente. Após sua convocação para a seleção venezuelana, Vega foi vendido para a Udinese, da Itália. Dudamel pediu dispensa da seleção por discordar do valor dos prêmios oferecidos pela Federação Venezuelana de Futebol na Copa América.
No desembarque, ontem, dirigentes ouvidos pela Folha evitaram comentar a saída de Dudamel. Ele estava cansado e continuará descansando, ironizou o presidente da delegação, Serafin Boutureira (foto).
Além do goleiro Renny Vega - que tem posição garantida na equipe titular, apesar de terem sido convocados outros dois jogadores para a posição -, o destaque da Venezuela é o atacante Gabriel Urdaneta, de 23 anos. A força da equipe é um bem entrosado meio-de-campo, disse o preparador físico Horácio Daguerre, que é argentino. Nesse setor, se destacam ainda os jogadores Hector Bidoglio, Edson Tortolero e Ricardo Duno.
Para a Copa América, a Venezuela contratou o experiente técnico argentino José Pastoriza, ex-jogador da seleção de seu país e depois treinador de equipes sul-americanas e centro-americanas. Antes de ser contratado pela Venezuela, em novembro do ano passado, Pastoriza dirigiu a seleção de El Salvador. Outro argentino na comissão técnica é Horácio Daguerre.
Apesar dos reforços, a Venezuela é modesta em relação a seu confronto de estréia na Copa América, contra o Brasil. Não vamos nos iludir, resumiu Boutureira. Vemos o Brasil com muito respeito. Trabalhamos duro e acreditamos que faremos um bom papel, completou Daguerre. Os dois dirigentes apontam Brasil e Argentina como favoritos ao título.
Para o presidente da delegação, a principal causa do mau desempenho do futebol venezuelano é uma tradição do país - exportar jogadores jovens. Além do goleiro Vega, outros três jogadores atuam em times do exterior: José Manuel Rey (Emelec, Equador), Daniel Noriega (Unión Santa Fé, Argentina) e Felix Hernandez (Club Celaya, México).
A atual seleção é formada por jogadores jovens, com até 25 anos. Apenas quatro convocados têm mais de 28 anos. Apesar de a seleção ter sido convocada em dezembro, a equipe só ficou completa há 20 dias. Para entrosar os jogadores, foi realizada uma série de amistosos. Os dois últimos foram contra o Peru (que disputa o Grupo A).
Devido ao mau tempo, a seleção venezuelana desembarcou no Aeroporto de Foz do Iguaçu às 13 horas, com mais de duas horas de atraso. Foi recebida por duas moças vestidas com roupas das cores da bandeira nacional - vermelho, azul e amarelo. Seguiu, de ônibus, para o Hotel Sheraton, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu, onde ficará hospedada e vai treinar. O único desfalque da delegação era o técnico, que viajou a Montevidéu para ver o amistoso entre Uruguai e México, que acabou cancelado (leia nota acima).





