Fernando Tupan
O Atletiba de número 300, hoje, às 15h30, no Estádio do Pinheirão, em Curitiba, não vale o título do Campeonato Paranaense de 1999, mas é a primeira etapa para o time que desejar chegar lá. O Coritiba joga beneficiado pela vantagem de três empates para decidir o título da competição com o vencedor de Paraná x Malutrom.
O Coritiba venceu o Atlético 114 vezes em jogos oficiais, empatou 90 vezes e foi derrotado em apenas 95 partidas. O número de gols também mostra a superioridade alvi-verde, 464 contra 417. Mas neste ano o rubro-negro está melhor, venceu duas partidas e perdeu somente uma. Os dois primeiros Atletibas do ano aconteceram na Copa Sul Brasileira, com vitórias de 3 x 0 e 3 x 1. Na terceira partida, válida pelo Campeonato Paranaense, deu coxa: 1 a 0, gol do atacante Cléber.
Durante a semana, os técnicos Antônio Clemente e Abel Braga (foto) fizeram suspense na divulgação da escalação dos seus times. Clemente, do Atlético, realizou treinos secretos, tirou e colocou jogadores, mas falou que iria repetir o time que venceu o Operário. A exceção seria o lateral-direito Luisinho Neto, com a volta de Alberto.
Na quinta-feira o treinador atleticano disse que Luisinho era um pé-quente e não poderia ficar fora do maior clássico do futebol paranaense. Ele citou até mesmo o gol que o lateral marcou contra o Operário, classificando o rubro-negro antecipadamente às semifinais. Naquele dia o jogador saiu de campo sorrindo, mas no dia seguinte estava de cara fechada.
Existe a possibilidade de Clemente utilizar mais um volante no lugar de Kelly, que poderia ser Ricardo, que chegou da Portuguesa de Desportos, ou Sidney. Mas como o Atlético precisa vencer, o treinador promete mandar o time jogar no ataque. Ele sabe que o Coritiba vai jogar fechado, com cinco jogadores no meio-de-campo.
Não perder e, se der, vencer. É assim que o Coritiba entra em campo hoje para enfrentar seu maior rival. O técnico Abel Braga avisou que vai jogar com o regulamento debaixo do braço. O Coxa tem a vantagem de três empates nesta fase. O treinador também confia em seu retrospecto nos atletibas para sair mais uma vez vencedor: em nove clássicos, o técnico Coxa - que antes comandava o Atlético - venceu cinco vezes, empatou duas e perdeu duas. Sobre o Pinheirão, ele não se assusta. ‘‘Gosto muito do estádio. Lá, eu ganhei o campeonato paranaense de 98’’.
A semana que antecedeu ao atletiba não foi das mais fáceis para o Coritiba. O time estava praticamente escalado para o jogo de hoje na segunda-feira passada. Aí vieram contusões, volta de jogadores e mais dúvidas. Primeiro foi Cléber que sentiu a panturrilha esquerda, não treinou durante a semana e só um milagre o coloca no jogo. Depois foi a volta de Basílio, que estava quase escalado e na sexta-feira teve que sair antes do treinamento, sentindo uma fisgada na virilha.
Para aumentar o mistério, Abel não sabia se colocava Yan, Betinho ou Reginaldo Nascimento no meio campo alviverde. Yan era o único que vinha jogando. Os outros dois se recuperavam de lesões. Betinho teve uma contratura muscular e Nascimento havia operado a clavícula. Ontem o Coritiba realizou um treino secreto no Couto Pereira e assim terminou a semana alviverde que antecedia o 300º Atletiba de sua história.
Uma coisa é certa, o Coritiba se quiser acabar com o jejum de títulos que lhe persegue há exatos 10 anos, terá que se valer de uma palavra tão usada no futebol: superação para vencer o Atlético, no Pinheirão. Nas finais do ano passado o Coxa perdeu por 4 a 1 e 2 a 1, deixando escapar o título que era praticamente certo.
Para chegar à outra final, o Coritiba vai necessitar de muita disciplina tática. O técnico, acredita que conseguiu passar essa mensagem para seus jogadores através do diálogo. Esse é o caminho que o alviverde pode conseguir o tão sonhado 30º campeonato. O título seria um presente para a torcida coritibana, que em outubro completa 90 anos.

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