O técnico Candinho e os jogadores da Portuguesa entraram para a história da equipe do Canindé pela conquista de uma façanha inédita: a Lusa perdeu do Cruzeiro por 1 a 0, sábado, no Mineirão, mas obteve, pela primeira vez, a chance de disputar uma semifinal de Campeonato Brasileiro. A melhor colocação da Portuguesa até então era um sétimo lugar em 89. Os mineiros, donos da melhor campanha na primeira fase, se despediram da competição e irão, agora, brigar apenas pelo título da Supercopa.
A equipe paulista, oitava da primeira fase, conseguira, na quarta-feira, reverter a vantagem cruzeirense ao vencer por 3 x 0, no Morumbi. Sábado, soube se defender e aproveitar o direito de perder por uma diferença de até dois gols.
Até os 40 minutos do primeiro tempo, a Portuguesa soube executar com eficiência o papel exigido pelo técnico Candinho: não deixar o Cruzeiro jogar. Depois de um início nervoso, com os zagueiros César e Émerson um pouco perdidos em campo, os jogadores do time paulista foram acertando a marcação e não dando espaços para o adversário. Capitão esteve tão bem quanto na primeira partida, em sua função de ser a sombra de Palhinha, principal jogador do Cruzeiro.
A Portuguesa marcava, com consciência, e até arriscava esporádicos contra-ataques. O Cruzeiro usava mais a raça do que a tática para driblar a marcação adversária e chegar ao gol. A Portuguesa se defendia como podia e tirava a bola de sua área de qualquer maneira. A insistência cruzeirense só deu resultado aos 40 minutos, em uma cobrança de falta de Palinha, na entrada da grande área. A bola bateu na barreira e sobrou para Cleisson fazer o gol dos mineiros. A torcida voltou a se empolgar. O zagueiro César teve ainda a chance de empatar para a Portuguesa aos 46, mas chutou para fora um rebote de escanteio.
O segundo tempo não começou diferente do primeiro. Candinho colocou Zinho no lugar de Caio e continuou exigindo marcação forte. Os jogadores respondiam em campo e esperavam o Cruzeiro na intermediária do campo de defesa. O meia Rodrigo tinha a missão de puxar os contra-ataques da Portuguesa, mas parava na violência dos cruzeirenses.
o time mineiro tentava chegar ao segundo gol, mas Palhinha ainda muito marcado, não podia mostrar seu talento. O goleiro Clemer atuava com segurança. Depois dos 30 minutos, o Cruzeiro partiu para o desespero. Não deu para o atual campeão mineiro e da Copa do Brasil. Desiludidos, os torcedores mineiros começaram a deixar o estádio quando restavam dez minutos para terminar a partida.
Candinho afirmou que a Portuguesa não vai tremer nas semifinais e está preparada para ser campeã brasileira. Euforico, o treinador disse que a Portuguesa passou pela sua grande prova de fogo e disputará o título em igualdade de condições com o seu adversário, seja ele qual for.
‘‘A Portuguesa chegou às semifinais com todos os méritos. A classificação não veio por obra do acaso. A equipe jogou de acordo com o regulamento e mereceu eliminar o Cruzeiro, o clube mais regular da primeira fase. Isso representa muito e a Portuguesa se encheu de moral. Não é qualquer time que elimina o Cruzeiro. No primeiro jogo, aproveitamos o fator campo e ganhou bem, apresentando um futebol ofensivo. Na volta, mesmo perdendo por 1 x 0, a Portuguesa jogou bem e apresentou uma grande aplicação tática.’’
Para o primeiro jogo da semifinal do Brasileiro, no meio-de-semana, no Morumbi, a Portuguesa não terá o zagueiro César, que recebeu o terceiro cartão amarelo. Em seu lugar entrará Marcelo, que cumpriu suspensão. Outro que estará de volta será Ze Roberto, livre do terceiro cartão amarelo. Zinho, lesionado, tem poucas chances.

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