São Paulo - A segunda vaga do vôlei de praia masculino brasileiro na Olimpíada de Pequim poderá ser conhecida apenas ''aos 45 minutos do segundo tempo''. Depois de mais de um ano do início da contagem de pontos, que considera os oito melhores resultados no período, o cearense Márcio e o capixaba Fábio Luiz mantêm uma vantagem ainda ameaçada de ser superada na reta final pelo carioca Pedro Solberg e pelo brasiliense Harley. A definição está marcada para o Aberto de Marselha (França), na próxima semana.
Depois do Grand Slam de Moscou, encerrado domingo com o terceiro título consecutivo dos norte-americanos Todd Rogers e Phil Dalhausser, as duas duplas optaram por retornar ao Brasil e se preparar para a batalha final nas respectivas bases de treinamento. Márcio e Fábio Luiz estão na Volta da Jurema, em Fortaleza, e Pedro Solberg e Harley voltaram às areias da Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro.
Márcio e Fábio Luiz têm 4.740 pontos, contra 4.640 de Pedro Solberg e Harley. O Aberto de Marselha é o último evento ainda a ser creditado na corrida olímpica. Se os números indicam favoritismo dos campeões mundiais de 2005, Pedro Solberg e Harley - que em 2008 venceram na Austrália, China e Itália - ainda acreditam na virada. No entanto, precisam vencer o torneio e torcer para que Márcio e Fábio Luiz não cheguem à decisão.
''Acho que a pressão pela vaga está exercendo influência no rendimento das equipes'', reconhece Renato França, técnico de Pedro Solberg e Harley. Antes da abertura do atual calendário, a diferença era de 600 pontos. Foi caindo gradativamente, mas se estabilizou nas últimas etapas. ''Vamos treinar duro, porque os times estrangeiros estão muito fortes, especialmente os norte-americanos e os alemães'', ressaltou.
Nono colocado em Atenas-2004, quando atuava ao lado do sul-matogrossense Benjamin, o experiente Márcio também admite que o rendimento da dupla foi afetado pela expectativa da vaga olímpica. ''Perdemos aquela tranquilidade natural que caracterizava nosso jogo'', lembrou o capitão da equipe, que está completando um ano - desde o Grand Slam de Berlim - afastado do degrau mais alto do pódio no circuito mundial. ''Além disso, a redução de nossa vantagem pode ser explicada: nossos resultados foram muito bons em 2007 e era mais difícil substituí-los. Não foi o que aconteceu com Pedro e Harley, que vieram bem nesta temporada e trocaram as colocações ruins do ano passado'', analisou.
Embora a pressão da virada esteja colocada diante dos rivais, Márcio garante que a determinação será a marca de sua parceria em Marselha. ''Vamos fazer o que for necessário para alcançar o nosso objetivo. O Fabão está com o mesmo propósito. Acho que essa será a última vaga ainda em jogo dentre todos os países e vamos dar todo o sangue para voltar ao Brasil com ela'', avisou.
A segunda vaga masculina é a única ainda indefinida no vôlei brasileiro. Ricardo e Emanuel garantiram a ida à China por antecipação, bem como Juliana-Larissa e Renata-Talita, além das seleções de quadra masculina e feminina.

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