Lúcio Horta
De Londrina
Qual a medida da paixão do brasileiro pelo futebol? Difícil falar, mas pelo menos uma característica dá para perceber durante os jogos do Pré-Olímpico: existem dois tipos de torcedores. De um lado, aqueles que elegeram a Seleção Brasileira como algo acima do bem e do mal, não importando de onde veio quem está defendendo o País. Mas também tem outro grupo – minoria, é verdade – que não tem conversa: torcer pelo Brasil é importante, mas se é para falar em amor pela camisa, o assunto é o mesmo o time do coração.
‘‘Em primeiro lugar vem o Atlético (Paranaense), claro! A seleção vem logo atrás. Isso porque vale mais o time do coração, que a gente acompanha o ano todo’’, afirmou Heitor Martins, 22 anos, de Curitiba. Integrante da torcida organizada ‘‘Os Fanáticos’’, ele trouxe da Capital uma grande bandeira rubro-negra. E afirma que as duas maiores motivações do Pré-Olímpico são os jogadores Lucas e Adriano – ambos do time paranaense. ‘‘Torço mais para o sucesso dos dois. Depois, para que todo mundo vá bem.’’
Já que o ambiente era de seleção nacional, Heitor estava à vontade assistindo à partida de ontem ao lado de outro fanático, só que pelo Tubarão – o Londrina Esporte Clube (LEC). ‘‘A paixão pelo Londrina é em primeiro lugar. O resto vem depois’’, concordou Hermes Mendes do Rosário, assegurando que é ‘‘impossível’’ confundir a camisa do LEC com a da Argentina, apesar das mesmas cores. ‘‘De jeito nenhum’’, esbravejou.
Nem todo mundo, porém, é tão radical quando o negócio é time de futebol. Pelo contrário: a maioria prefere colocar o time de Luxemburgo acima de qualquer diferença e se permite até – com ressalvas – assistir ao jogo ao lado de um rival histórico. E cada qual com a camisa de seu clube. ‘‘Não tem problema porque o Palmeiras é freguês’’, brincou o corintiano Fabrício Orlandini, 23 anos, de Umuarama, que veio a Londrina com o colega palmeirense Valcir Cardoso, 35. ‘‘Mas o que vale é a amizade. Independente dos defeitos que o amigo possa ter’’, concluiu.
Valdir não fica atrás e tem uma conta esquisita para explicar sua paixão pelo Palmeiras: ele diz que é 70% corintiano e 30% palmeirense. ‘‘São 70% de torcida para o Corinthians perder e 30% para o Palmeiras ganhar’’, vai logo esclarecendo. Sobre a seleção, diz que o grande orgulho é ver o Alex, sobretudo depois do golaço contra a Argentina. ‘‘Ele merece nota 9,5. Porque 10 mesmo só o Pel钒, elogiou. ‘‘Prefiro o Ricardinho’’, desdenhou o corintiano.
Mas nem tudo é ironia na relação de torcedores antagônicos. O casal gaúcho Caroline Hoff, 17 anos, e Jhonatan Borre, 15, veio de Porto Alegre para assistir à partida da Seleção Brasileira. E chegaram a carater: ele com a camisa do Internacional e ela com a do Grêmio. ‘‘Não tem problema não. A gente conversa sobre futebol, vai junto ao estádio, mas nada de briga, dá para conviver perfeitamente’’, diz Caroline. E completa: ‘‘O nosso caso mostra que pode haver harmonia no futebol.’’ELES EXPÕEM AMOR PELOS CLUBES MESMO COM a SELEÇÃO EM CAMPO
Paulo WolfgangO corintiano Fabrício Orlandini e o palmeirense Valcir CardosoPaulo WolfgangCaroline Hoff e Jhonatan Borre: ele, colorado; ela, gremistaPaulo WolfgangDE NORTE A SULHermes Rosário, torcedor do Londrina, e o atleticano Heitor Martins: paixão pelo clube de coração em primeiro lugar

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