Leverkusen - O setor que parecia ser um tormento para os brasileiros superou a desconfiança inicial e vai aos poucos se transformando no ponto forte da seleção. A dupla de zaga formada por Lúcio, de 28 anos, e Juan, de 27 anos, tem jogado muito bem, defendido com eficiência a baliza de Dida e mantido a invencibilidade da defesa do Brasil. O time está há 427 minutos sem sofrer um gol numa Copa do Mundo e pode bater o recorde de 458 minutos que pertence à seleção de 1978, dirigida pelo já falecido Cláudio Coutinho.
O último gol sofrido pela seleção brasileira num Mundial foi na vitória de 2 a 1 sobre a Inglaterra, pelas quartas-de-final da Copa de 2002, em Shizuoka, no Japão. Coicidentemente, numa falha de Lúcio, que errou ao dominar a bola no campo de defesa e acabou dando um passe perfeito para o atacante Michael Owen abrir o placar para os ingleses. Com mais 32 minutos de invencibilidade, Dida, Lúcio e Juan superam o feito de Leão, Oscar e Amaral, que não deixaram o Brasil levar gol em quatro jogos consecutivos do Mundial de 78, na Argentina: Espanha (0 a 0), Aústria (1 a 0), Peru (3 a 0) e Argentina (0 a 0).
''O importante é a defesa estar bem, jogando coletivamente e pensando no grupo. Se não sofrermos gols, estaremos dando um grande passo para ajudar a seleção a conquistar a vitória'', diz o próprio Lúcio, campeão do mundo em 2002 e um dos mais experientes do time.
O último gol sofrido pela seleção de Parreira em jogos oficiais foi no empate de 1 a 1 com a Bolívia, no dia 9 de outubro de 2005, em La Paz, ainda pelas eliminatórias da Copa. Mesmo assim, Lúcio formava a zaga com Roque Júnior, que desde 2004 faz dupla de zaga com Juan no Bayer Leverkusen. Entre 2002 e 2004, a zaga do clube alemão era formada por Lúcio e Juan. De lá para cá, a seleção fez sete jogos e obteve sete vitórias contra Venezuela (3 a 0), Emirados Árabes (8 a 0), Rússia (1 a 0), Combinado de Lucerna (8 a 0), Nova Zelândia (4 a 0), Croácia (1 a 0) e Austrália (2 a 0).
''Na seleção a gente joga diferente do que quando jogávamos no Bayer. Aqui a gente conversa mais e joga mais perto um do outro. Se um errar, o outro tenta cobrir e consertar o erro. Se houver falha, a falha é do setor. Na Europa é diferente: cada um tem que fazer o seu porque se houver problema a responsabilidade é de quem errou'', conta Juan, a cada dia mais ambientado ao grupo.
Como se não bastasse a boa atuação e a invencibilidade, a dupla até agora não recebeu nenhum cartão amarelo, estando, portanto, despreocupada quanto à possibilidade de Parreira poupar alguns titulares para o jogo das oitavas. Contra a Austrália, o Brasil fez apenas nove faltas durante toda a partida.
''A decisão é do treinador. É claro que todos querem jogar e eu não sou diferente. Mas o que ele decidir está bom para mim'', diz Juan, que desde 2004 defende o Bayer de Munique. (Agência O Globo)

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