Spa-Francorchamps, 28 (AE) - Sem Michael Schumacher na pista de Spa, ficou fácil para a McLaren. Mika Hakkinen e David Coulthard, a dupla da equipe inglesa, estabeleceu hoje a pole position e a segunda colocação no grid do GP da Bélgica, conforme se esperava. A vantagem técnica da McLaren é tal que Eddie Irvine, da Ferrari, o líder do Mundial, obteve apenas o sexto tempo, um segundo e meio atrás. O treino teve dois acidentes impressionantes, com Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta, ambos da BAR. Mika Hakkinen admitiu que a ausência do piloto alemão da Ferrari está facilitando o seu trabalho no veloz circuito de Spa-Francorchamps.
A não ser que Coulthard queira colaborar de novo com a Ferrari, como fez na áustria e a Alemanha, o atual campeão do mundo não deverá ter adversários na prova de amanhã, que começa às nove horas, com transmissão da TV Globo. "Estou contente pela 10ª pole da temporada e por ter encontrado um equilíbrio interessante de pilotagem." Hakkinen explicou que com os atuais pneus é preciso às vezes ser mais lento num trecho onde se poder ir mais rápido para, no seguinte, poder ser mais veloz. "Aqui não é fácil achar esse compromisso entre uma seção e outra da pista."
O finlandês estava uma fera na entrevista coletiva. Hakkinen nunca demonstrou irritação tão grande na Fórmula 1: "É ridículo o que esses mecânicos da BAR fizeram, eu passei do lado deles e os via rindo." Ele se referia aos graves acidentes de Villeneuve e Zonta. "Os dois poderiam ter morrido, não é assim que se encara a Fórmula 1." A mesma impressão do campeão do mundo é a de muita gente no paddock: a BAR está sendo dirigida por um ex-professor de esqui que até se tornar empresário de Villeneuve nunca havia assistido a um GP, o escocês Craig Pollock.
Couthard dá mesmo sinais de que ainda não desistiu de lutar pelo título. Hoje ele tentou de todas as formas superar Hakkinen, mas não deu, acabou 155 milésimos atrás. "Eu melhorava minha McLaren a cada mexida, mas parece que o Mika conseguia a mesma evolução." Se não tivesse errado na última tentativa, o escocês acredita que poderia ter vencido Hakkinen. Por tudo o que vem dizendo em Spa, Coulthard larga amanhã com um objetivo: ganhar o GP da Bélgica para entrar na brigar pelo título. O caminho está aberto para mais uma da suas trapalhadas. Onde está a Ferrari? Era a pergunta mais frequente ontem na sala de imprensa do circuito belga.
Na pista onde nunca conquistou um único ponto, Eddie Irvine não foi além da sexta colocação. "Não esperava ficar a um segundo e meio do melhor tempo", disse. "Para complicar ainda mais, outra equipe acabou se instalando entre nós e nossos adversários diretos pelo Mundial", afirmou o norte-irlandês. Heinz-Harald Frentzen e Damon Hill, da Jordan, conseguiram o terceiro e quarto tempos, possivelmente ajudados pelo uso dos pneus macios da Bridgestone. A Ferrari com boa probabilidade optou pelos médios, menos aderentes mas mais resistentes. Irvine falou mais da Ferrari: "Precisamos trabalhar muito para melhorar o carro nos traçados velozes."
A próxima etapa do campeonato será na rápida Monza, dia 12. Mas lá a escuderia de Maranello terá a decisiva volta de Michael Schumacher para ajudá-la. Com apenas dois pontos a mais na classificação, Irvine pode perder a liderança do Mundial na Bélgica se hoje a McLaren confirmar seu favoritismo. Rubens Barrichello, da Stewart, melhorou apenas nos instantes finais do treino, quando terminou em sétimo. Até então ocupava a 14ª colocação. "Consegui mesclar pneus mais usados com os novos para dar maior velocidade ao nosso carro", explicou. "Perdia muito tempo nas curvas lentas."
Ricardo Zonta, da BAR, obteve o 14º tempo, ainda que tenha treinado pouco, em razão do pavoroso acidente. É a sua melhor colocação no grid para asfalto seco. Na França, sob chuva
largou em décimo. Pedro Paulo Diniz, da Sauber, contou que no instante em que estava em suas voltas lançadas os pilotos da BAR se acidentaram, interrompendo a sessão. Ele larga em 18.º. De qualquer forma, o C18 saia tanto de frente que não daria para melhorar muito, falou.

mockup