Dupla brasileira chora derrota na praia
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segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
Um misto de decepção e felicidade dominou a praia de Bondi Beach na segunda-feira à tarde em Sydney (madrugada de ontem no Brasil). Após perderem para as donas da casa, Cook e Pottharts, por 2 a 0 (parciais de 12/11 e 12/10), as brasileiras Adriana Behar e Shelda, grandes favoritas à medalha de ouro, não conseguiram segurar o choro da derrota. Esse não é o fim, porque o fim é bom, dizia Shelda, que não completava uma frase sequer sem chorar. Adriana, mais conformada, dizia: Nós somos guerreiras. Perdemos uma batalha, mas a guerra continua.
As brasileiras estiveram bem próximas da vitória, mas deixaram o sonho da medalha de ouro escapar no fechamento dos dois sets. No primeiro set, o placar marcava quatro pontos de vantagem para o Brasil, que não soube aproveitar os minutos final do jogo. As australianas fecharam em 12 a 11.
No segundo, Adriana e Shelda venciam por 7 a 3, mas deixaram as australianas encostarem. Com o empate em 10 pontos, a reação tornou-se impossível para o time do Brasil. As brasileiras renderam-se à força do saque e ataque da dupla australiana. Elas jogaram muito bem. Jogo é jogo. Quem está na quadra pode ganhar ou perder. Infelizmente nós perdemos, disse Shelda.
No último ponto australiano, ela olhava para o placar como se não acreditasse no que estava acontecendo. Só tenho que pedir desculpas. Desculpas para Drika (Adriana Behar), porque tive a oportunidade de fechar o set e não fechei. Desculpas para o Brasil, porque tenho certeza que todo mundo queria demais essa medalha. Eles queriam tanto quanto eu. A medalha de prata foi uma vitória, mas a gente sempre quer mais, disse Shelda. Eu estou feliz, mas poderia estar muito mais.
Ainda na praia, após erguer a mão para todos os lados da Arena, desculpando-se com a torcida, Shelda correu para os braços do namorado Márcio Atalla.
Adriana Behar também lamentou o resultado. Do mesmo jeito que a Shelda pediu desculpas, eu também peço. Nós formamos uma dupla, cada uma tem 50% de responsabilidade. Acho até que tenho mais culpa que ela, pois os saques estavam vindo para cima de mim. Joguei muito aquém do que poderia ter jogado.
A australiana Cook achou uma explicação para a derrota brasileira. Pelo fato delas serem número um do mundo, existia uma pressão muito grande sobre elas. De todo o país. Elas tinham que levar o ouro. Nós jogamos ponto a ponto. Sentimos isso e conseguimos ganhar.
Na disputa pela medalha de bronze, a dupla brasileira Adriana Samuel (prata em Atlanta-96) e Sandra Pires (ouro na mesma Olimpíada) venceu as japonesas Takahashi e Saiki por 2 a 0 (12/4 e 12/6). Esse bronze tem valor de ouro para a gente. Disputamos dois Jogos Olímpicos e conseguimos duas medalhas. Isso é maravilhoso, comemorou Sandra, porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos de Sydney.
Em dobro As medalhas do vôlei de praia foram comemoradas em dobro por integrantes da seleção masculina de vôlei de quadra, que venceu Cuba por 3 sets a 0: Alemão, auxiliar-técnico de Radamés Lattari, é marido de Adriana e Tande, irmão da jogadora. Ela é uma grande vencedora, já conquistou duas medalhas olímpicas e entrou para a história. O Tande também já tem a dele. Agora tenho que ir buscar a minha, disse Alemão. Toda a família está muito contente, completou Tande. Radamés foi mais além. Agora eu quero ver a Adriana na festa deles, afirmou o técnico, apontando para seus atletas.


