Dupla Atletiba defende o Clube dos 13
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Fernando Tupan Marcos Freitas De Curitiba 
Os dirigentes do Clube dos 13 negam estarem contaminados pelo vírus Gama. Mas agora imploram para que a imprensa esportiva se manifeste favoravelmente à não inclusão do time brasiliense na Copa João Havelange. Alegam que o futebol brasileiro corre o risco de ficar sem calendário neste segundo semestre, além de criar social fechando postos de trabalhos.
O diretor de marketing do Atlético, Mário Celso Petraglia, e o presidente do Coritiba, Sérgio Prosdócimo, reuniram a imprensa na última quinta-feira, como legítimos representantes paranaenses do Clube dos 13 no Estado. A entidade recomendou aos seus afiliados para se reunir com os formadores de opinião afim de angariar simpatia para o grupo.
Encontros entre a imprensa e dirigentes aconteceram em todos os estados. O Clube dos 13 busca reverter a causa favorável ao Gama. Uma pesquisa encomendada pela própria entidade, detectou que 80% dos torcedores brasileiros apóiam o Gama na Primeira Divisão.
Mas o que ficou evidente no encontro é que o futebol brasileiro passa por um período caótico. Uma afirmação de Prosdócimo consolidou essa certeza. Forças ocultas impedem a presença do Gama no Campeonato Brasileiro. Quem assiste de fora sabe que essas forças ocultas têm nome: futebol carioca, que atualmente passa por um período de decadência. O Fluminense está na Série B e o Gama reivindica a vaga do Botafogo.
Petraglia afirmou que o conflito avançou muito devido a vaidades, briga pelo poder e não poupou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela falta de diálogo com um dos seus associados. Outra reclamação do cartola apontou para o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que se mostra totalmente omisso e sem interesse de resolver a questão. Não vamos conseguir mudar 100 anos de futebol em 15 minutos, disse ele, analisando a dificuldade em encontrar uma solução para o impasse.
Outro fator que levou o Clube dos 13 a tentar angariar simpatia está relacionado a dinheiro. O Campeonato Brasileiro deste ano foi vendido para o Brasil e outros 40 países por US$ 80 milhões. Se a competição não acontecer, sobrará para a entidade uma multa de igual valor. Fato que pode afetar a saúde financeira dos clubes participantes e da entidade.
Não sei o que será do Atlético se o time ficar parado neste semestre, disse Petraglia. Eles admitiram a tática do salve-se quem puder, se a proibição continuar. Teremos que organizar um torneio só com os 20 maiores clubes do Brasil, esquecendo de outros 80 clubes interessados em disputar o campeonato.
Paralelo ao encontro dos cartolas, aconteceu na mesma noite, em Curitiba, um debate entre alguns membros da imprensa e o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B/SP). O deputado classificou a crise do futebol brasileiro como o fundo do poço. Segundo ele, o poder público precisa intervir na CBF, fiscalizando os atos da entidade. O deputado disse ainda que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na CBF está prestes a acontecer. A CPI é a primeira da lista e basta apenas o presidente da Câmara Federal nomear os membros para que os trabalhos comecem, disse.


