Vamos atravessar o atlântico e aterrar no país que é conhecido pelos croissants, pela Torre Eiffel e pelas pessoas assim não tão simpáticas. Certamente que o protagonista do nosso artigo Abner Filipe, jogador que teve passagens por Portugal e Brasil, poderia dizer de sua justiça se isso é verdade ou não. Agora que já aterramos em França, vamos até uma pequena cidade na costa, Dunkerque.

É lá que o defesa brasileiro Abner Filipe joga. Ele atua na segunda divisão e a questão do artigo é mesmo essa, será que vai conseguir chegar ao lugar dos playoffs e tentar a qualificação juntamente com sua equipe? O cenário não está favorável, mas ainda há muitos jogos pela frente. O primeiro é já para a Taça e não entra para estas contas, mas vamos também abordá-lo.

2 pontos os separam dos playoffs

Quem acompanha a Ligue 2 francesa, seja por paixão futebolística ou porque é um fã de bets e acompanha através das melhores casas de apostas, sabe que esta é uma das competições mais equilibradas do futebol europeu. E o Dunkerque é um exemplo claro disso. A equipa ocupa atualmente o 6º lugar da tabela, com 27 pontos somados, estando apenas a dois pontos do Red Star, conjunto que fecha a zona de playoff de acesso à Ligue 1, divisão onde atua o próximo adversário do Flamengo.

Este posicionamento confirma que a temporada do Dunkerque está longe de ser negativa. Pelo contrário, a equipa tem conseguido competir de igual para igual com adversários teoricamente mais fortes, mantendo-se na luta pela subida direta ou pelo menos pelo acesso aos playoffs. Ainda assim, há fatores que explicam porque o clube não conseguiu ainda dar o salto definitivo para dentro do top cinco, e um deles está ligado ao equilíbrio entre os setores.

No plano defensivo, o nome de Abner Filipe surge como uma referência importante. O defesa brasileiro tem sido uma peça relevante na estrutura da equipa, oferecendo segurança, leitura de jogo e capacidade de adaptação a diferentes contextos táticos. No entanto, apesar da sua presença, o Dunkerque já sofreu 19 golos nesta fase da temporada, um número algo elevado para uma equipa que ambiciona lutar pela subida. Este dado revela que, embora exista qualidade individual, o coletivo defensivo ainda apresenta momentos de instabilidade.

Ataque e defesa, o equilíbrio necessário

Se defensivamente há ajustes a fazer, ofensivamente os números contam outra história. O Dunkerque soma já 29 golos marcados, uma média bastante interessante para a Ligue 2 e uma das melhores do campeonato. A equipa mostra-se confortável a assumir o jogo, cria oportunidades com regularidade e tem várias soluções na frente de ataque, o que explica a sua consistência ao longo das jornadas.

Esse poder ofensivo ficou evidente em vários encontros recentes, onde o Dunkerque conseguiu marcar em contextos difíceis e recuperar resultados adversos. No entanto, em partidas como o empate sem golos frente ao Bastia ou a derrota tangencial diante do Montpellier, voltou a ficar claro que uma menor eficácia defensiva ou um erro pontual pode anular todo o esforço feito no ataque. É precisamente nesses momentos que a presença de um defesa experiente e atento como Abner Filipe ganha ainda mais relevância.

O brasileiro tem sido utilizado tanto como titular como a partir do banco, dependendo das necessidades do jogo. Quando está em campo, nota-se maior organização no posicionamento defensivo e melhor controlo das bolas paradas, um aspeto muitas vezes decisivo nesta divisão. Ainda assim, o facto de sofrer golos em fases cruciais das partidas continua a ser um dos pontos que o Dunkerque precisa de corrigir se quiser manter-se na corrida pelos playoffs até ao fim.

Taça de França, um teste de outro nível

Antes de voltar a concentrar todas as atenções na Ligue 2, o Dunkerque tem pela frente um desafio exigente na Taça de França, semana que por cá também temos a Copa Intercontinental. O sorteio dos 32 avos de final ditou um confronto frente ao Strasbourg, equipa da Ligue 1, o que representa uma subida significativa no grau de dificuldade. Trata-se de um jogo fora do contexto do campeonato, mas que pode ter impacto direto na confiança e na dinâmica da equipa.

Naturalmente, o Strasbourg surge como favorito nas odds, não só pela diferença de divisão, mas também pela experiência acumulada em jogos deste género. Ainda assim, a Taça de França é conhecida por proporcionar surpresas, e o Dunkerque já demonstrou em épocas anteriores que sabe competir em eliminatórias, sobretudo quando assume uma postura organizada e pragmática.

Para Abner Filipe, este tipo de jogo representa também uma oportunidade de afirmação. Enfrentar um adversário de primeira divisão coloca à prova a solidez defensiva e a capacidade de concentração durante noventa minutos ou mais. Uma boa exibição coletiva, mesmo que não resulte em apuramento, pode servir como ponto de viragem emocional para o resto da época.

Rotina, minutos e confiança do treinador

Os números ajudam a explicar a importância de Abner Filipe dentro do plantel. O defesa soma cerca de 790 minutos distribuídos por 12 jogos, num total de 18 partidas já realizadas pelo Dunkerque nesta temporada. Estes dados mostram que, embora não seja um titular indiscutível, é claramente um jogador de confiança para o treinador Albert Sánchez.

O padrão de utilização é revelador. Em vários encontros, o jogador começa no banco e entra nos minutos finais para ajudar a segurar resultados ou reforçar a consistência defensiva quando a equipa está em vantagem. Noutras ocasiões, é lançado desde o início, especialmente em jogos onde o adversário apresenta maior capacidade ofensiva. Esta gestão demonstra que o técnico vê no brasileiro uma peça estratégica dentro da rotação.

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