São Paulo - O técnico da Seleção Brasileira, Dunga, não quer que os seus jogadores se refiram à Bolívia, próxima adversária do time nas Eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo-2010, como ''lanterna'', apesar de o país andino ser de fato o último colocado no classificatório regional para a Copa de 2010.
O treinador afirmou ontem, um dia após a vitória por 3 a 0 sobre o Chile, que os bolivianos, que enfrentam o Brasil amanhã, no Engenhão, no Rio de Janeiro, precisam ser respeitados não apenas como adversários, mas também como pessoas.
''A primeira coisa que vou falar para os meus jogadores é para não usar a palavra lanterna e respeitar a Bolívia, que é uma seleção que tem seus pontos fracos, mas que também tem pontos positivos. Eu quero afastar esse termo lanterna por respeito às pessoas, às famílias dos atletas'', disse o treinador.
A Bolívia somou até agora apenas quatro pontos em sete rodadas do classificatório. No sábado, perdeu por 3 a 1 para o Equador, em Quito.
''É uma equipe de velocidade, com jogadores com boa técnica. O futebol é o único esporte em que não existe o mais forte e o mais fraco. O futebol é emocionante por isso'', alertou o treinador, que não poderá contar com Kléber e Gilberto Silva, suspensos, amanhã.
Após estrear pela Seleção no segundo tempo da partida de anteontem, Juan, do Flamengo, deve substituir Kléber na lateral-esquerda. Lucas (Liverpool) e Hernanes (São Paulo) disputam a vaga de Gilberto Silva no meio-campo. ''Nós temos essas duas opções, mas vamos esperar o treinamento para ver quem se adapta melhor para jogar junto com o Josué'', afirmou Dunga.
A confiança exagerada mostrada pelos jogadores do Chile antes da partida contra o Brasil foi utilizada pelo técnico Dunga para motivar seus jogadores para o confronto no estádio Nacional, em Santiago. No entanto, o comandante negou que tenha utilizado também as declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que se mostrou insatisfeito com a postura brasileira na Olimpíada e acabou entrando em polêmica com o goleiro Júlio César.
''Eu não citei o nome do Lula, apenas utilizei (as declarações dos jogadores) do Chile'', revelou o comandante, satisfeito com a vitória sobre os chilenos. O treinador ainda se mostrou conformado com as críticas que recebeu antes mesmo de a bola rolar e negou que elas tenham servido de incentivo.
''Se críticas resolvessem, o Brasil seria campeão todo ano'', acrescentou ele. A postura do meia-atacante Ronaldinho Gaúcho no momento de sua substituição durante o jogo contra o Chile, no domingo, foi elogiada pelo técnico.
Depois da expulsão de Kléber no início do segundo tempo, o treinador teve de sacar o craque do Milan para recompor o lado esquerdo com a entrada do flamenguista Juan.
Apesar de ter saído de campo claramente chateado, Ronaldinho recebeu um abraço do técnico ao fim da partida. ''Fui cumprimentá-lo porque teve uma postura correta. Apesar de ter saído chateado do jogo, ele ficou no banco torcendo para a Seleção. Ele é um líder e pegou gosto pela liderança. Ele está crescendo e melhorando em cada jogo'', afirmou o treinador.
Após a vitória sobre o Chile, a Seleção Brasileira desembarcou em silêncio no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, na manhã de ontem. O time titular ganhou folga ontem e só vai treinar na tarde de hoje, no Engenhão.

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