Johannesburgo - Daqui a sete dias, Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, vai ter o maior desafio de sua curta, mas intensa carreira como treinador: dirigir a seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Com apenas três anos e meio de profissão, o ex-volante de técnica limitada e futebol forte na marcação, terá o privilégio que apenas outros 13 brasileiros ostentam.
São eles Píndaro de Carvalho (1930), Luiz Vinhaes (1934), Ademar Pimenta (1938), Flávio Costa (1950), Zezé Moreira (1954), Vicente Feola (1958 e 1966), Aymoré Moreira (1962), Zagallo (1970, 1974 e 1998), Cláudio Coutinho (1978), Telê Santana (1982 e 1986), Sebastião Lazaroni (1990), Carlos Alberto Parreira (1994 e 2006) e Luiz Felipe Scolari (2002).
Além disso, Dunga poderá ser o terceiro homem do mundo a ser campeão como jogador e treinador. Apenas Zagallo - em 1958 e 1962, como atleta, e 1970 como técnico - e o alemão Franz Beckenbauer (1974, como jogador, e 1990, como técnico) conseguiram tal façanha.
Mas Dunga já sentiu na pele a cobrança, que será maior a cada dia em que se aproxima a estreia no Mundial, no próximo dia 15, diante da Coreia do Norte, em Johannesburgo. Mais do que nos atletas, o País todo estará de olho nas atitudes, nas palavras, nos gestos e até no modo de se vestir do técnico da seleção.
Depois de 55 jogos, com 39 vitórias, 11 empates e cinco derrotas, Dunga já superou a total desconfiança do público e da imprensa ao assumir a seleção logo após o fiasco da equipe de Parreira, com Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Kaká e Robinho no Mundial da Alemanha, há quatro anos, sem ter tido ao menos uma experiência no comando de um time.
Mudou a postura dos jogadores dentro e fora de campo. Não se intimidou com as críticas por deixar de fora nomes importantes, como Ronaldinho Gaúcho e Adriano, que cometeram deslizes em suas vidas particulares e não passaram por boa fase em seus clubes. Também não se rendeu ao apelo popular pela convocação dos jovens talentos do Santos, Neymar e Paulo Henrique Ganso. ''Nosso trabalho para disputar a Copa começou há três anos e meio. Não apenas em fevereiro ou março''.
Dunga tentou e ainda tenta formar a família Dunga. Fechou com alguns jogadores e montou uma base que ganhou quase tudo que disputou: Copa América, Copa das Confederações e o 1.º lugar nas Eliminatórias. Só ficou faltando a inédita medalha de ouro olímpica em Pequim, mas, mesmo assim, conseguiu o 3.º lugar do pódio.
Taticamente, o time não agrada a todos os brasileiros. Dunga prefere privilegiar a marcação, sair rápido da defesa e surpreender o adversário nos contra-ataques. Desta forma, corre menos riscos e aposta na individualidade de Kaká, Robinho e Luís Fabiano para conseguir as vitórias. Até agora tem dado certo.
Não se cansa de ter atritos com a imprensa, mas garante que não guarda rancor dos tempos em que a derrota no Mundial da Itália, em 1990, com Sebastião Lazaroni no comando, foi chamada de ''A Era Dunga''. Mesmo assim, limita o trabalho de jornais, rádios e internet na busca de notícias da seleção em solo sul-africano. ''Estamos dando uma maior privacidade aos jogadores para que possam se concentrar totalmente na Copa''.
Leva a sério o que fala e garante que se isola do mundo. ''Nem falo com minha mulher, pois não poderei resolver os problemas em casa. Se souber deles, terei dois e só poderei resolver um''.
E, na verdade, Dunga poderá ter a até sete problemas. Os três primeiros já são conhecidos: Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. Depois, virão mais quatro até o sonhado hexa. ''O povo brasileiro pode estar certo de que tudo está sendo feito para que levemos mais uma conquista para o nosso País'', prometeu.

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