Dunga sabe que verdadeiro teste será na Copa América
São Paulo - A última vez que Dunga vestiu a camisa da seleção brasileira foi na derrota para a França, na final da Copa de 1998. O mesmo capitão que ergueu o pesado troféu de campeão do mundo em 1994 sabe os inúmeros significados de uma derrota do Brasil. Ainda mais agora que é o técnico. ''Tenho noção o que significa perder no futebol. Ainda mais na seleção brasileira. Tem sempre muita coisa em jogo'', disse Dunga, em entrevista exclusiva à Agência Estado.
Muito além dos amistosos que o Brasil fez até agora, Dunga sabe que será na Copa América que seu trabalho será realmente testado. O torneio será disputado entre 26 de junho e 15 de julho, na Venezuela.
Dunga sente que a pressão está crescendo, a hora da verdade se aproxima. ''Se a Copa América vai definir o meu futuro depende do presidente Ricardo Teixeira. Os planos vão além disso. Mas sei como tudo funciona no futebol'', admitiu o treinador.
Ele sabe que a sua atua situação remete à enfrentada por Falcão em 1991. O também ex-jogador, que estreava como treinador justamente na seleção brasileira, levou apenas jovens promessas para a Copa América no Chile. Assim como Dunga, Falcão tinha a experiência de meros amistosos, mas perdeu a competição sul-americana para a Argentina e foi demitido do cargo.
Vivido, Dunga trabalha para não sofrer do mesmo problema de Falcão. Ele quer levar o time mais forte possível para a Venezuela. ''Olha, as pessoas estão falando em levar um time misto para a Copa América para que os jogadores que atuam na Europa possam descansar e voltar nas Eliminatórias. Só que não vejo as coisas dessa maneira. Até por experiência como jogador sei que não se pode dar espaço para ninguém na seleção brasileira. Se o time que for para a Copa América for muito bem porque trocar as Eliminatórias?'', questionou o treinador.
Nem a suposta necessidade de dar um descanso para Ronaldinho Gaúcho parece convencer Dunga a poupá-lo. ''O Ronaldinho Gaúcho disputou a Copa no ano passado e pelo que eu sei, teve 20 dias de férias assim que o Mundial acabou. Aliás, a maioria dos jogadores dos clubes importantes europeus pôde descansar no ano passado'', lembrou o treinador. ''Então, essa questão de desgaste é relativa. Acredito que seja possível o Brasil disputar a Copa América com time forte. E acho que isso vai acontecer.''
Mas Dunga enfrenta sérias dificuldades para reunir a seleção, a começar pelos simples amistosos na Europa. Um bom exemplo foi o Chile que treinou por quase uma semana para o amistoso do último sábado, enquanto o Brasil pôde fazer apenas um levíssimo treinamento na sexta-feira - em campo, vitória brasileira por 4 a 0.
''O que acontece é que o Chile, ao contrário do Brasil, não tem jogadores tão importantes quanto os nossos atuando nos clubes mais importantes do mundo. A liberação para os treinos não é nada fácil. Até o Felipão passou por isso. Mas só me cabe treinar e acreditar no nosso trabalho que estamos fazendo com a maior honestidade possível'', afirmou Dunga. (A.E.)





