O gaúcho Carlos Bledorn Verri, o Dunga, pode ser o primeiro capitão da Seleção a erguer duas taças. Em 94, nos EUA, ele repetiu o gesto de Bellini (58), de Mauro (62) e de Carlos Alberto (70). ‘‘É emocionante. É como rever toda a vida, todas as conquistas’’, definiu o meia.
Aos 34 anos de idade, Dunga pode também quebrar um recorde: ser o jogador com mais atuações pela Seleção Brasileira em Copas, ao lado de Taffarel. Os dois jogaram 11 partidas, cinco a menos que Jairzinho, o recordista. Se o Brasil chegar à semifinal, eles passam o atacante, campeão mundial em 70.
Dunga tem a responsabilidade de liderar o Brasil em campo, de fazer com que os jogadores cumpram as ordens de Zagallo. E isso ele sabe fazer como poucos. Grita, orienta, provoca, seja o alvo um jogador mais inexperiente, como Denílson, ou estrelas do nível de Ronaldinho, Rivaldo e Giovanni. ‘‘O importante dentro do campo é manter o time ligado’’, explica.
Dunga, revelado pelo Inter de Porto Alegre, é um exemplo de superação. Saiu do fracasso para a glória em quatro anos. Estigmatizado como o símbolo da Seleção de Lazaroni, em 1990, período que ficou conhecido como a Era Dunga, o volante recuperou-se e brilhou nos EUA.
Dunga aprendeu a superar obstáculos desde a infância. O seu pai queria que ele fosse jogador, mas desse prioridade aos estudos. O seu padrinho não acreditava muito. ‘‘Ele dizia que eu ia ser anão, que era pequeno e tinha as pernas tortas, como o Dunga, personagem da Branca de Neve e Os Sete Anões’’, revela, explicando a origem do apelido.

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