Dunga parece que assistiu outro jogo
Durban - O empate por 0 a 0 com Portugal num duelo de poucas jogadas bonitas e efetivas de gol do Brasil não aborreceu Dunga. Pelo menos não depois de ele deixar o gramado onde passou boa parte do tempo reclamando dos seus jogadores, como captou as câmeras de tevê da Fifa. O máximo de reprovação que conseguiu expressar após os 90 minutos se resumiu a dizer que não estava feliz porque o time não havia vencido. ''Não estamos felizes porque não ganhamos e nós jogamos para ganhar até o fim. Todos viram. Mas a equipe adversária não queria atacar e preferiu jogar no nosso erro''.
Em nenhum momento o técnico da seleção assumiu que seus treinos fechados não têm tido efeito em campo. O Brasil não mostrou nenhuma jogada ensaiada de ataque e até nas bolas paradas tem deixado a desejar. Daniel Alves, por exemplo, errou quase todas as bolas que eram para ser levantadas na área, até então a principal jogada do time brasileiro na Copa do Mundo.
Dunga preferiu condenar Portugal por sua postura defensiva, irritante até, segundo ele. ''Eles ficaram com quase todos, uns nove pelo menos, atrás da linha do meio de campo. O jogo foi duro, com muitas faltas também, truncado. Mesmo assim, tivemos duas ou três chances de fazer gols'', destacou o treinador.
Ele chegou a assumir que gostaria de ter visto a seleção usando mais as laterais, com Maicon e Michel Bastos. Não corrigiu isso no intervalo e depois passou o segundo tempo todo gritando com os jogadores de meio sem ser ouvido. Ele quase reprovou a atitude dos seus comandados de insistir pelo meio, embolando tudo com os portugueses. Mas preferiu falar do lado positivo. ''É uma característica do Brasil ficar com a bola nos pés. Fizemos isso para cansar o adversário''.
Nem as ausências de Kaká e Elano foram sentidas pelo treinador, diferentemente do que o torcedor viu no Moses Mabhida. ''Se eles estivessem em campo, também sentiriam a dificuldade de jogar com a formação de Portugal. O Robinho, que sentiu dores musculares e por isso foi poupado, talvez fosse a nossa melhor opção devido a seus dribles''. (Agência Estado)





