Porto Alegre - A cotação de Dunga, na análise da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cresceu bastante neste início de 2009 e, apesar do pouco carisma e das frequentes críticas a seu trabalho por parte do público e de analistas, o técnico está cada vez mais perto da Copa de 2010. De acordo com dirigentes da entidade, o comandante da seleção tem mostrado mais maturidade no relacionamento com os jogadores e com a imprensa e, principalmente, mais jogo de cintura, algo que lhe faltou nos primeiros dois anos no cargo.
Embora muitos prefiram nomes mais experientes e badalados, como os de Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, aposta na permanência de Dunga para o Mundial da África do Sul. O fato é que ele só não vai para sua primeira Copa como treinador, se, por exemplo, a seleção brasileira for derrotada por Argentina, Paraguai e Uruguai - seus próximos compromissos nas Eliminatórias - e der vexame na Copa das Confederações, em junho.
''O Dunga melhorou bastante, ele está excelente neste ano'', declarou uma pessoa ligada ao presidente da CBF, referindo-se ao comportamento do técnico, que passou a lidar melhor com as críticas e com as perguntas mais embaraçosas. E, mais importante, os resultados têm aparecido. Até a fraca atuação contra o Equador foi ofuscada pelo bom 1 a 1 conquistado em Quito, no último domingo. Afinal, nas duas Eliminatórias anteriores, o Brasil foi derrotado nos mais de 2.800 metros da capital equatoriana, mesmo dirigido por treinadores consagrados - Carlos Alberto Parreira e Emerson Leão.
Depois, a vitória por 3 a 0 sobre o Peru, na quarta-feira, em Porto Alegre, devolveram a vice-liderança das Eliminatórias ao Brasil, deixando-o em situação confortável na busca da vaga para a Copa na África do Sul. ''Esses quatro pontos conquistados nestas duas rodadas ficaram dentro do que prevíamos'', comentou Dunga. ''Jogamos na altitude e tivemos uma viagem muito desgastante. Se continuarmos vencendo em casa e empatando fora, estará ótimo.''
Nestas duas rodadas, o Brasil ainda reduziu de seis para três pontos a desvantagem em relação ao líder Paraguai. Assim, vai sem tanta pressão para os dois confrontos de junho, contra o Uruguai, em Montevidéu, e o próprio Paraguai, provavelmente no Recife. ''Aos poucos, vamos chegando perto do nosso objetivo (a classificação para a Copa)'', explicou Dunga, cada vez mais tranquilo na função de treinador da seleção.
Os deslizes contra Bolívia e Colômbia, no fim do ano passado, provocaram turbulência e ameaçaram o cargo de Dunga. Mas a histórica goleada por 6 a 2 sobre Portugal e a excelente vitória contra a Itália (2 a 0), nos últimos amistosos, deram força ao gaúcho de 45 anos. Os triunfos contra adversários fortes aumentaram seu prestígio com a CBF. No Mundial, por exemplo, são rivais desse porte que precisarão ser batidos na busca pelo hexacampeonato.
Dunga ainda tem na sua conta o crédito da Copa América, título conquistado mesmo sem a presença de muitos jogadores considerados titulares. ''Posso até errar, mas sou convicto de tudo o que faço'', afirmou o técnico, de cabeça em pé, após a fácil vitória sobre o Peru, quarta-feira, em Porto Alegre. Os gols da vitória por 3 a 0 foram marcados por Luís Fabiano, duas vezes, e pelo volante Felipe Melo.

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