'Dunga foi jogada de marketing da CBF'
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terça-feira, 08 de agosto de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ferrenho crítico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e toda a sua cúpula diretiva, o comentarista esportivo Juca Kfouri, 56 anos, avaliou como uma cartada de marketing a contratação do ex-volante Dunga para o cargo de técnico da seleção brasileira. ''A torcida cobrava garra e o Felipão era o símbolo preferido. Como ele não aceitou o convite, chamaram o Dunga'', apontou. Kfouri esteve em Londrina ontem para ministrar uma palestra sobre a seleção brasileira.
Além da falta de garra, ele enumerou outros fatores para a campanha vexatória no mundial da Alemanha. ''Faltou garra, treino, estrutura e alguém para mostrar que eles eram jogadores de futebol e não pop-stars. Tinha uns cinco ou seis Michael Jacksons. Boleiros tinham poucos'', reclamou.
Já desiludido com os bastidores do futebol brasileiro, ele acredita que sua geração não verá uma mudança significativa na estrutura da CBF, a começar pela cartolagem. ''O desejo de mudança é mais profundo do que a troca de treinador. Tem que mudar a estrutura. A CBF tem o time dela e faz disso o que ela bem entende. Falta gente séria que queira se meter com isso'', lamentou.
Kfouri coleciona processos por suas constantes denúncias contra cartolas, mas nem por isso deixa de seguir a linha combativa. Mensagem que faz questão de passar para os jovens que estão entrando para o mercado jornalístico. ''Aparecem R$ 60 mil do (Reinaldo) Pitta, (empresário de jogadores) na conta do Parreira e o torcedor não vai desconfiar? Quem dirá os jornalistas, que têm essa função? Nos últimos três anos, a Alemanha, em 2004, o Brasil em 2005 e a Itália, em 2006, tiveram escândalos de arbitragem e eu é que faço a teoria da conspiração?'', justificou. ''É didático e exemplar mostrar o tanto que o esporte imita a vida''.
Ele também arrumou inimigos no próprio meio jornalístico ao criticar de forma dura os jornalistas que fazem publicidade. ''Não dá para ser jornalista e publicitário. Como criticar a CBF tendo a Brahma como patrocinadora?'', questionou, dando como exemplo seu maior desafeto no meio, o apresentador Milton Neves. ''Não tem dinheiro que pague a respeitabilidade''.
Corintiano assumido, Kfouri disse que não ficou surpreso com a situação do clube. ''Achei que nos dois primeiros anos o Corinthians iria ganhar tudo, mas são tão incompetentes que conseguiram ganhar um título na condição que ganharam e estão na lanterna do Brasileirão'', criticou.
Kfouri é formado em ciências sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalhou como comentarista esportivo no SBT, Globo, Cultura, Rede TV! e apresentou programas de entrevistas na CNT. Atualmente participa pela ESPN-Brasil do programa Linha de Passe. É colunista da Folha de S.Paulo. Foi editor das revistas Placar e Playboy, colunista do diário Lance! e de o Globo e é apresentador, desde 2000, do programa CBN Esporte Clube, da rádio CBN.


