Johannesburgo - A Copa do Mundo começa hoje para o Brasil. Pelo menos é o que o técnico Dunga quer colocar na cabeça de seus comandados. O que o Brasil fez antes do Mundial e na primeira fase na África do Sul - vitórias sobre Coreia do Norte e Costa do Marfim e empate com Portugal - não valerá de nada se eles não passarem pelo Chile e avançarem às quartas de final.
A mentalidade, segundo o treinador, precisa ser outra. Não há mais margem para erros. Qualquer vacilo agora pode significar o retorno para casa mais cedo. ''Todos que estão aqui sabem que, quando é jogo eliminatório, muda psicologicamente. Na primeira fase, tinha dois jogos para recuperar. Agora tem que jogar no máximo, no limite. Daqui para frente, cada jogo é um campeonato e todos são finais.''
O trabalho psicológico com o grupo começou no sábado, um dia depois de o time garantir o primeiro lugar do grupo, e continuará sendo feito até momentos antes da seleção entrar em campo no Ellis Park. O tema fará parte da preleção de Dunga. Além de bater na tecla da importância do jogo, o técnico também fará uma ''lavagem cerebral'' nos jogadores para evitar que o retrospecto irretocável contra o Chile sob o seu comando - foram cinco vitórias em cinco jogos e todas por goleada - interfira no desempenho da equipe.
Dunga fez questão de enaltecer o adversário. ''É uma equipe rápida, muito mais competitiva, diferente da que enfrentamos anteriormente. O Chile adquiriu a mentalidade de seu treinador. Vem a campo para jogar, joga no seu limite. Deixa tudo que pode dentro de campo, então temos que jogar da mesma forma.''
Questionado se o time de Marcelo Bielsa era o rival ideal porque nesta Copa jogou ofensivamente, Dunga desconversou, dizendo que outras seleções também tiveram dificuldades contra adversários retrancados. E mais uma vez fez um alerta aos jogadores, lembrando que é preciso esquecer o passado. ''Adversário ideal é o que já derrotamos. Temos de achar nossa fórmula agora para ganhar. Hoje em dia não tem adversário fácil. O que vale sempre é o próximo jogo. Todos sabem que é Copa do Mundo, é outra partida, outra atmosfera, outra motivação.''
O futuro distante, ou próximo dependendo do resultado, também não interessa ao treinador. Dunga desconversou sobre o que fará depois do fim da Copa, já que não ficará na seleção brasileira, mesmo que conquiste o hexacampeonato. Já há clubes interessados em contratá-lo. ''Não pensei agora e anteriormente também não, eu tenho de agradecer sempre ao presidente (Ricardo Teixeira) pelo o que aconteceu, nunca pensei no que ia fazer depois de quatro anos, meu trabalho é focado aqui na seleção e na Copa. Isso é o que me interessa.''

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