Dunga fala do passado para explicar fracasso
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Marcius Azevedo<br>Agência Estado 
Rio - O passado foi evocado após o vergonhoso empate com a Bolívia no Engenhão, na quarta-feira. As dificuldades enfrentadas pela seleção brasileira em Eliminatórias recentes viraram justificativa para o pífio rendimento do time de Dunga. Nas Eliminatórias, o Brasil nunca teve vida fácil. Em 2001 e em 1993 se classificou na última rodada. As pessoas acham que é um mar de rosas, mas não é não, argumentou.
Neste ponto, o técnico até tem razão. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari, a seleção se garantiu na Copa do Japão e da Coréia do Sul com uma vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela, em São Luís, na última rodada. O herói da classificação foi Luizão, que marcou dois gols. No ano seguinte, Felipão conduziu o Brasil ao pentacampeonato.
Já em 1993, com Dunga em campo, Carlos Alberto Parreira precisou recorrer a Romário para se garantir na Copa dos Estados Unidos. O Baixinho fez os dois gols na vitória sobre o Uruguai, por 2 a 0, no Maracanã. Eliminatórias são assim, quando pensamos que as coisas vão andar vem a dificuldade. Tem de ter convicção, trabalhar e insistir. Não tem outra maneira.
O discurso do treinador foi reforçado pelo seu auxiliar. Não existe moleza nas Eliminatórias, é só ver o retrospecto. Foi um sufoco para classificar para 1994 e 2002 e agora não vai ser diferente. Temos apenas de ter paciência porque nosso grupo é muito bom, discursou Jorginho, que também estava no time que se classificou na última rodada em 1993. Não tem como esquecer este empate com a Bolívia, assim como não tem como esquecer que vencemos o Chile depois de muitos anos.
Os jogadores se mostram em sintonia com a comissão técnica. Preferiram destacar a posição do Brasil na classificação - é o vice-líder com 13 pontos, quatro atrás do Paraguai e com a mesma pontuação de Argentina e Chile -, mesmo após um péssimo resultado. O mais importante é conseguir se classificar para a Copa, o que conseguiríamos neste momento, afirmou Julio Baptista. Não estava nos nossos planos perder esses dois pontos. Para mim, o empate teve sabor de derrota, com todo respeito à Bolívia. Menos mal que a equipe ainda está bem colocada nas Eliminatórias, disse Robinho.
Volta de Kaká
Após o vexatório empate em 0 a 0 diante da Bolívia, lanterna das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010, o Brasil voltará a campo em outubro para encarar uma nova rodada dupla pelo torneio qualificatório. O primeiro jogo acontece no dia 11, contra a Venezuela, fora de casa, e o técnico Dunga não contará com o zagueiro Luisão e com o meia Diego, suspensos.
Em compensação, Kaká, titular da posição ocupada por Diego, está recuperado de uma contusão que o tirou dos últimos quatro compromissos das eliminatórias - não enfrentou Paraguai e Argentina, em junho, e Chile e Bolívia, agora em setembro.


