Dunga espera jogo aberto ante Holanda
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quinta-feira, 01 de julho de 2010
Almir Leite<br>Agência Estado 
Port Elizabeth - Os jogos entre Brasil e Holanda em 1994 e 1998 são considerados por muita gente os melhores daquelas Copas. Atual técnico da seleção, Dunga esteve presente naquelas duas partidas. E considera que as equipes podem fazer hoje o melhor confronto de todo o Mundial da África do Sul. E justifica: ''Pode ser porque as duas equipes tentam jogar, arriscam, buscam o drible. Quase se joga dessa forma, o espetáculo fica bom''.
Defensor da tese de que vitória tem preponderância sobre o jogo bonito, Dunga pronunciou ontem várias vezes a palavra ''espetáculo'' ao se referir ao duelo no estádio Nelson Mandela Bay. ''Essa é a tendência, a de ser um jogo bonito de se ver porque em campo estarão jogadores de qualidade''.
O treinador parece mesmo convicto de que a Holanda vai colaborar para que se possa ser um dos poucos ''jogos abertos'' dessa Copa do Mundo. ''É claro que o fator espetáculo depende de como as seleções vão se comportar. Quando as duas equipes tentam jogar fica melhor para ambas. Com mais espaço, o espetáculo ganha''.
Mas disse que não é por ser a Holanda o adversário desta sexta que a seleção brasileira vai apresentar alguma novidade tática. ''Não se pode inventar uma tática para cada partida'', disse. ''É normal estudar os pontos fracos do adversários e tentar aproveitar''.
Não se aprofundou, porém, nos detalhes que observou sobre o rival. Lembrou apenas que os holandeses, assim como os brasileiros, tem jogadores importantes em todas as equipes da Europa. E elogiou bastante o atacante Robben. ''É um jogador diferenciado, técnico. Basta lembrar do que ele fez no Bayern de Munique (clube onde o holandês joga) na última temporada''.
Consistência
Dunga reconhece que o trio formado por Kaká, Robinho e Luís Fabiano preocupa qualquer equipe que enfrente a seleção - os holandeses, por exemplo, não escondem a preocupação com os três -, mas não considera que sejam o fato de desequilíbrio a favor dos brasileiros. ''É o coletivo que faz a diferença. Se o time estiver entrosado, defendendo e atacando bem, aí vai crescer''.
Nesta quinta, ele voltou a revelar algum desconforto com o pouco espaço de tempo que a seleção brasileira vem tendo entre uma partida e outra. Teve o Chile pela frente na última segunda e nesta sexta volta a campo - a Holanda também jogou na segunda. Agora, se passar às semifinais, vai estar novamente em ação na próxima terça, na Cidade do Cabo. Serão apenas três dias de descanso. ''Isso vai sobrecarregando. Se desse, gostaria de ter mais um ou dois dias para recuperação dos jogadores'', afirmou. ''Mas já sabíamos disso e fizemos bom planejamento''. O calendário aperta outras seleções que ainda estão na disputa.


