Agência Estado
De Porto Alegre
Definindo o dia de ontem como ‘‘o mais triste da minha vida, da minha carreira como atleta profissional’’, o volante Dunga assinou sua rescisão de contrato com o Internacional e doou imediatamente o cheque que recebeu do clube, no valor de R$ 372.560,31, para quatro instituições de caridade. Magoado, o capitão do tetra negou-se a comentar seus planos. ‘‘Depois que ler este comunicado não falarei mais’’, disse o jogador. Seu aborrecimento ficou explícito nas primeiras linhas do texto: ‘‘O motivo pelo qual me encontro aqui é que fui demitido pelo meu clube sem nenhum motivo coerente’’.
‘‘O único motivo pelo qual eu aceitei, há um ano e dois meses, vir a jogar pelo Internacional foi a possibilidade de retornar à minha equipe que, há tantos anos, me deu a oportunidade de adentrar no mundo do futebol profissional’’, continuou Dunga, enquanto lia um comunicado. Ele disse também que, na época, impôs ao seu procurador (Antonio Caliendo) a recusa de outras ofertas.
Dunga entendeu que, da maneira como foi demitido, foi colocado ‘‘em uma solução difamatória, que é uma das piores que uma pessoa civil pode sofrer’’. Em seguida, informou que doaria o valor da rescisão a quatro instituições: o Instituto do Câncer Infantil, o Instituto da Criança com Diabetes, o Amparo Santa Cruz e o Pão dos Pobres. ‘‘Li uma frase interessantíssima do Senna (Ayrton Senna): ninguém vence na vida se alguém não abrir as portas’’, comentou. ‘‘Estas pessoas (os representantes das entidades beneficiadas) estão abrindo estas portas’’, justificou. O jogador entregou o cheque ao presidente do Instituto do Câncer Infantil, Algemiro Brunetto, encarregado de dividir o valor com as demais entidades, e deixou o prédio, recusando-se a responder qualquer pergunta.
O Internacional anunciou que rescindiria o contrato do volante na sexta-feira. O argumento dos dirigentes tem sido o de que o clube não pode arcar com os salários e o contrato de exploração de imagem do jogador, que exigiriam um desembolso mensal de aproximadamente R$ 300 mil.
Dunga foi contratado durante a gestão do presidente Paulo Rogério Amoretty, substituído por Jarbas Lima. Ao assumir, em janeiro deste ano, a nova direção entendeu que não poderia cumprir o contrato – que só terminaria em dezembro deste ano – nos termos em que fora firmado.
Como o jogador não pertence mais ao clube, o Inter igualmente considera desfeito o acordo para uso da sua imagem, que custa US$ 130 mil mensais aos cofres colorados.
Dunga avisou que só falará após a vinda ao Brasil de seu procurador, Antonio Caliendo, prevista para o final do mês. Gaúcho de Ijuí, ele voltou ao Beira-Rio em janeiro de 1999. Mas o ano foi um dos piores da história do clube. O volante teve um ano irregular, chegou a ser colocado na reserva, mas foi o autor do gol contra o Palmeiras (1 a 0) que manteve o Inter na Série A do Brasileiro.Dispensado pelo clube que o revelou, ‘Capitão do Tetra’ define o dia ‘como o mais triste’ de sua carreira
Arquivo FolhaSEM PERDÃOO volante Dunga durante treino da seleção de 94: ‘Fui demitido pelo meu clube sem nenhum motivo coerente’

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