Dunga doa dinheiro da rescisão com o Inter
"O único motivo pelo qual eu aceitei, há um ano e dois meses atrás, vir a jogar pelo Internacional foi a possibilidade de retornar à minha equipe que, há tantos anos atrás, me deu a oportunidade de adentrar no mundo do futebol profissional", continuou Dunga, enquanto lia um comunicado. Ele disse também que, na época, impôs ao seu procurador (Antonio Caliendo) a recusa de outras ofertas.
Dunga entendeu que, da maneira como foi demitido, foi colocado "em uma solução difamatória, que é uma das piores que uma pessoa civil pode sofrer". Em seguida, informou que doaria o valor da rescisão a quatro instituições: o Instituto do Câncer Infantil, o Instituto da Criança com Diabetes/RS, o Amparo Santa Cruz e o Pão dos Pobres. "Li uma frase interessantíssima do Senna (Ayrton Senna): Ninguém vence na vida se alguém não abrir as portas", comentou. "Estas pessoas - os representantes das entidades beneficiadas - estão abrindo estas portas", justificou. O jogador entregou o cheque ao presidente do Instituto do Câncer Infantil, Algemiro Brunetto, encarregado de dividir o valor com as demais entidades, e desceu rapidamente pelo elevador, recusando-se a responder qualquer pergunta.
A doação, segundo Brunetto, ajudará na conclusão da uma casa de apoio para os pequenos pacientes, que ministrará um tratamento complementar. O representante do Instituto da Criança com Diabetes/RS, Balduíno Tschiedel, pretende empregar a verba no amparo a um público-alvo de oito mil meninos e meninas diabéticos no Estado.
Dunga chegou pouco antes das 15h ao Sindicato dos Empregados em Clubes Esportivos e Federações (Secefergs), no centro de Porto Alegre, e reuniu-se por 45 minutos com os advogados do clube, o presidente do sindicato, Jorge Ivo Amaral da Silva, e o representante no Brasil da Image Promotional Company (IPC), empresa que negociou os direitos de uso da imagem do jogador com o Inter, Mário Rossi. Saiu da sala, foi até um pequeno auditório e leu sua nota.
O sindicato distribuiu uma nota informando que homologou a rescisão "com ressalvas". Amaral explicou que o reparo foi feito para permitir que Dunga, se quiser, ingresse na Justiça do Trabalho, cobrando "eventuais diferenças". Ele notou que a rescisão "entristece o nosso sindicato", embora o Inter tenha "agido como a lei permite".
O Internacional anunciou que rescindiria o contrato do volante na sexta-feira. O argumento dos dirigentes tem sido o que o clube não pode arcar com os salários e o contrato de exploração de imagem do jogador, que exigiriam um desembolso mensal de aproximadamente R$ 300 mil.
Dunga foi contratado durante a gestão do presidente Paulo Rogério Amoretty, substituído por Jarbas Lima. Ao assumir, em janeiro deste ano, a nova direção entendeu que não poderia cumprir o contrato - que só terminaria em dezembro deste ano - nos termos em que fora firmado.
Como o jogador não pertence mais ao clube, o Inter igualmente considera desfeito o acordo para uso da sua imagem, que custa US$ 130 mil mensais aos cofres colorados. Hoje, Rossi informou que o Inter não pagou nenhuma quantia pela utilização da imagem do "capitão do tetra" no ano 2000.
Dunga avisou que só falará após a vinda ao Brasil de seu procurador, Antonio Caliendo, prevista para o final do mês. Gaúcho de Ijuí, ele voltou ao Beira-Rio em janeiro de 1999. Mas o ano foi um dos piores da história do clube. O volante teve um ano irregular, chegou a ser colocado na reserva, mas foi o autor do gol contra o Palmeiras (1x0) que manteve o Inter na primeira divisão do Brasileiro.Por Ayrton Centeno Porto Alegre, 20 (AE) - Definindo o dia de hoje como "o mais triste da minha vida, da minha carreira como atleta profissional", o volante Dunga assinou sua rescisão de contrato com o Internacional e doou imediatamente o cheque que recebeu do clube, no valor de R$ 372.560,31, para quatro instituições de caridade. Magoado, o capitão do tetra negou-se a comentar seus planos. "Depois que ler este comunicado não falarei mais", disse o jogador. Seu aborrecimento ficou explícito nas primeiras linhas do texto: "O motivo pelo qual me encontro aqui é que fui demitido pelo meu clube sem nenhum motivo coerente", testemunhou.





