Boston - A vitória sobre o México por 2 a 0, quarta-feira, em Boston, encerrou a fase de preparação da seleção brasileira para as Eliminatórias da Copa do Mundo, mas o técnico Dunga deixou em aberto, depois de 14 partidas amistosas e seis jogos pela Copa América, a possibilidade de incorporar na seletiva para o Mundial da África do Sul jogadores que não tenham sido chamados até agora.
''A gente vai com uma coisa concreta (para as Eliminatórias), mas a seleção brasileira está sempre aberta'', disse o treinador após a partida, sem descartar, por exemplo, a hipótese de testar futuramente o atacante Alexandre Pato, revelado pelo Inter e que só jogará oficialmente pelo Milan em janeiro. ''Ele não atuou cinco partidas seguidas no Inter, mas quando chegar a oportunidade dele não vai ter problema nenhum. Assim como os demais jogadores que não estão hoje conosco, ele tem chances de chegar à seleção.''
O técnico, no entanto, se preocupou em não desprestigiar Vágner Love e Afonso. Afirmou que aos dois falta apenas ganhar um pouco de autoconfiança na seleção, uma vez que ambos são goleadores nos respectivos países que atuam, Rússia e Holanda.
O treinador só perdeu a esportiva quando foi questionado por um jornalista americano sobre a possibilidade de convocar o atacante Ronaldo futuramente. Irritado, lembrou ao autor da pergunta que o jogador não está atuando. ''Futuro eu não sei. Se tivesse uma bola mágica seria fácil.''
Para Dunga, as próximas semanas servirão para uma profunda reflexão sobre o que fazer até a estréia nas Eliminatórias, contra a Colômbia, dia 14 de outubro, em Bogotá. ''Jogamos de algumas formas diferentes, mudamos várias vezes, e a gente vai ver o que é o melhor agora.''
O ponto positivo dos amistosos, segundo o treinador, é que a maioria dos jogadores convocados correspondeu às expectativas. ''É lógico que temos de corrigir alguma coisa, mas, como aconteceu na Copa América, quando temos tempo para treinar as coisas saem mais naturalmente. Agora a gente vai refletir, vai ter tempo para pensar, e ver o que cada jogador fez, em que posição usar.''
Duas coisas Dunga deixou claro: a primeira é de que não deverá ceder a pressões para substituir atletas de seu grupo se algum deles não atuar bem em um jogo, e a segunda é a tendência de priorizar os resultados, mesmo que isso signifique abrir mão de um estilo mais técnico de atuar. ''A expectativa de grandes apresentações atrapalha um pouco porque as pessoas querem sempre ver espetáculo, que faça jogadas, mas em um jogo competitivo nem sempre você consegue fazer aquelas jogadas que o público gostaria. Em certos momentos você tem de ser mais eficiente'', apregoou o treinador.

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