Dunga deixa família em 2º plano
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quinta-feira, 03 de junho de 2010
Luiz Antônio Prósperi<br>Agência Estado 
Johannesburgo - Dunga esqueceu do mundo, o seu particular e o dos outros. Na sua cabeça gira apenas a seleção brasileira. Não há espaço para outras preocupações. Nem mesmo o dia a dia da sua família em Porto Alegre tira a concentração do treinador. Ele revelou ontem que a sua obrigação é o trabalho com os jogadores na Copa. E basta.
Após o Mundial, seu projeto é parar com o futebol por pelo menos seis meses e, aí sim, dedicar-se aos familiares. ''Quando a gente entra na seleção, nos focamos no trabalho, no que podemos fazer para dar o melhor para a seleção. Só assim podemos dar alegria ao torcedor brasileiro. Focar no trabalho, fazer o melhor que foi possível''.
Até nas horas vagas, nas folgas dos atletas ou no descanso da companhia, ele não consegue relaxar. Trancado no Fairway Hotel, abrigo da seleção na África do Sul, cuida de todos os detalhes que envolvem os jogadores. ''Quando eles estão de folga, eu e a minha comissão técnica estamos trabalhando, analisando um a um, o que devemos fazer, quem temos de segurar nos treinos. No meu tempo de jogador, eu queria dormir, treinar e jogar. Agora é diferente''.
Dunga não para de pensar na seleção. Até a família fica em segundo plano. ''Tempo para falar com a minha mulher eu vou ter de sobra daqui a 40 dias. Meu foco é a seleção. Não sou muito de ficar ligando para a minha família no Brasil. Fui assim quando era jogador e sou assim como treinador. Se a minha família tiver um problema, não vou conseguir resolver daqui. A minha mulher segura a barra lá''.
Após a Copa do Mundo a história vai ser diferente. O treinador pretende afastar-se do futebol para dar mais atenção aos seus familiares. Seu pai sofre do Mal de Alzheimer há muitos anos. Dunga que ficar mais próximo da sua mãe e de seu pai e também da mulher e filhos. Bola mesmo só em janeiro de 2011.
Precaução
Julio Cesar não foi ao Soweto com os seus companheiros de seleção, ontem, no final da tarde. Enquanto os colegas treinavam no estádio Dobsonvelli, no coração do bairro mais emblemático de Johannesburgo, o goleiro estava no Fairway Hotel sob os cuidados do fisioterapeuta Odir de Souza. A previsão é de que Julio Cesar volte a treinar nesta sexta.
A comissão técnica da seleção e Dunga garantiram que o goleiro não tem uma lesão grave. O treinador disse que estava tranquilo em relação ao problema de Julio Cesar - dores na região lombar após um lance com um jogador do Zimbábue no amistoso da última quarta.
Já Kaká deu sinais de progressos no treinamento de ontem e no amistoso. Na avaliação da comissão técnica, ele precisar conter a ansiedade. ''No primeiro coletivo o Kaká estava ansioso, queria dar as suas arrancadas. Nós tratamos de frear, segurar mais um pouco. No jogo no Zimbábue, ele se movimentou bem, teve mais da dinâmica de jogo, tentou as jogadas. Aos poucos ele vai pegando o ritmo'', disse Dunga.
Inesquecível
Difícil imaginar que os bravos jogadores da seleção brasileira, assim também como seu bravo comandante, consigam um dia se esquecer da presença do time em Soweto. Foi a primeira vez que o time teve contato com o povo sul-africano desde que chegou.
Quando Dunga pisou no gramado à frente da comitiva, viu um colorido diferente vindo das cadeiras tomadas por negros, a maioria crianças e mulheres com suas bandeiras, algumas do Brasil, e as tradicionais vuvuzelas, assopradas durante 1 hora e 44 minutos, tempo em que o elenco permaneceu no estádio.


