Johannesburgo - Nem mesmo um eventual tropeço contra a seleção da África do Sul, na última quinta-feira, deixaria alguma dúvida no ar de que Dunga vai ser o técnico do Brasil na Copa do Mundo do ano que vem. Ele garantiu sua permanência na equipe com os últimos resultados positivos e pode até perder o título da Copa das Confederações, amanhã, na final com os Estados Unidos, que não estará sob ameaça.
''Não tem como (mudar). Agora é definitivo. Ele só não vai à Copa se quiser'', informou um dos homens de confiança do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Ou seja, depois de viver alguma instabilidade nos dois primeiros anos no cargo de técnico da seleção, Dunga está consolidado.
Ricardo Teixeira, no comando da CBF há 20 anos, fez uma aposta em agosto de 2006, após o fracasso da seleção no Mundial da Alemanha, e sustentou a opção até nos momentos mais delicados. No ano passado, por exemplo, após atuações muito ruins da equipe do Brasil nas Eliminatórias, Dunga correu o risco de ver sua breve carreira de treinador ser interrompida. O coro nos estádios pelo Brasil afora era um só: ''Adeus Dunga!''
Ao longo de seu período como técnico, Dunga teve também desavenças com Kaká e outros jogadores já convocados. Os empates pífios contra Bolívia e Colômbia, no Rio, e duas derrotas seguidas para Venezuela e Paraguai, ano passado, se contrapõem ao título da Copa América de 2007 e às boas vitórias em tradicionais adversários da seleção - duas vezes sobre a Argentina (ambas por 3 a 0), uma em Portugal (6 a 2) e a mais recente, contra a Itália (3 a 0), já pela Copa das Confederações.
O treinador sempre mantém a 'corda esticada' na relação com os que cobrem a seleção brasileira e costuma usar críticas da imprensa como combustível para motivar os jogadores nas preleções antes das partidas.
Dunga teve o mérito de afastar da seleção uma atitude considerada tardiamente pela cúpula da CBF como responsável pelo insucesso na Alemanha em 2006. Foi o próprio Ricardo Teixeira que revelou, no ano passado, um lado obscuro, até então, daquele grupo que disputou a última Copa - tinha jogador que chegava bêbado de madrugada no hotel, após horas de folga, no período em que a seleção estava concentrada.
Disciplina é a palavra de ordem de Dunga. Há exageros, às vezes, como o de fiscalizar o prato dos atletas para conferir o que estão comendo. Mas desde que assumiu a seleção, o treinador, aos poucos, deixou para trás os jogadores mais interessados em baladas noturnas, que não cuidam do peso, da imagem, e parecem desleixados profissionalmente. Essa atitude agradou a Ricardo Teixeira, que também está muito satisfeito com o primeiro lugar do Brasil nas Eliminatórias da Copa.

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