Dunga admite erros na base e vê Neymar como única referência
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de março de 2015
Agência Estado 
São Paulo - O resultado da última Copa do Mundo deflagrou a inferioridade do Brasil diante das principais forças da Europa. A quarta colocação, após a vexatória goleada para a Alemanha por 7 a 1, na semifinal, e a derrota por 3 a 0 para a Holanda, na disputa do terceiro lugar, não seria motivo de total reforma no futebol nacional na opinião de Dunga, mas o próprio treinador da seleção admite a necessidade de algumas mudanças.
"Não podemos usar a Copa passada para achar que está tudo errado. Não podemos jogar tudo fora. O que acontece é que antes tínhamos jogadores que eram referências na Europa, marcavam gols e jogavam bem, como Ronaldo, Careca, Romário, Rivaldo. Isso não acontece mais, mas temos bons valores, que só não se sobressaem tanto. A não ser o Neymar", disse o comandante, em entrevista ao SporTV, nesta segunda-feira.
Para Dunga, os principais causadores desta ausência de craques são os próprios clubes brasileiros, que necessitariam de uma grande alteração em suas categorias de base.
"Nós deixamos de incentivar a individualidade, o drible, que é o que o jogador brasileiro tem de melhor. O que sempre falamos do jogador brasileiro? Da criatividade. Então, ela precisa ser incentivada. É diferente de improvisação. Os dribles eram treinados, e por isso aconteciam nos jogos. Então, temos que buscar mais esse tipo de coisa", comentou.
Dunga fez questão de salientar o estilo próprio do futebol brasileiro e a necessidade de se espelhar menos na Europa, mesmo que seja em estilos vitoriosos, como os dos técnicos Pep Guardiola e José Mourinho. "Nossa forma de se expressar está complicando um pouco. Estamos elogiando muito a Europa. Não podemos fugir muito da nossa escola. Hoje todo treinador tem o livro do Mourinho e do Guardiola... Temos que respeitar nossa escola, nossa tradição. Há muita preocupação com sistema, mas o jogador que sabe cabecear, chutar, joga em qualquer sistema."
O próprio treinador, no entanto, reconheceu que há pontos a serem "copiados" no futebol do Velho Continente. "Precisamos aprender com a Europa a leitura tática. Aqui o jogador não é cobrado tanto quanto na Europa, onde ele responde muito bem a essa postura. Então, precisamos trazer isso para o Brasil também. Você precisa dar a leitura de posicionamento para não atrapalhar o menino. Mas precisa deixar jogar e, principalmente, errar, para ele aprender com os próprios erros. E aí, ter paciência para corrigir."


