Berlim - Com a presença de seis das sete equipes que já conquistaram algum Mundial, incluindo o Brasil, detentor do título, e a Alemanha, país sede, as quartas-de-final da Copa do Mundo-2006 são de difícil prognóstico, com três confrontos carregados de história. Alemanha x Argentina, em Berlim, Itália x Ucrânia, em Hamburgo, no duelo menos interessante, abrem hoje a série de choques de gigantes, enquanto que amanhã se enfrentarão Inglaterra e Portugal em Gelsenkirchen e Brasil e França em Frankfurt.
  Os campeões de 15 das 17 Copas do Mundo disputadas figuram entre os oito últimos sobreviventes do torneio. As outras duas que faltam foram conquistadas pelo Uruguai, que não se classificou para o Mundial-2006.
  Alemanha e Argentina, que se enfrentaram nas finais de 1986 e 1990, estarão frente a frente em um duelo que promete ser equilibrado em Berlim. Os alvicelestes venceram a primeira partida, e a Alemanha, a segunda. Para Inglaterra e Portugal trata-se de uma revanche, após a semifinal do Mundial-1966 vencida por Bobby Charlton e seus companheiros, deixando pelo caminho os lusitanos do artilheiro Eusébio.
  Para Brasil e França, a lembrança da final do Mundial-1998, vencida pelos gauleses (3 a 0), ainda é muito viva. Zidane, Barthez e Thuram de um lado e Ronaldo, Cafu e Roberto Carlos do outro, são os remanescentes daquela decisão que estarão em campo amanhã. Em meio a estas três partidas suntuosas, o confronto entre Itália e Ucrânia, que estréia em um Mundial, destoará um pouco, entre duas equipes com esquemas muito defensivos.
  À exceção da Alemanha, que, levada pelo entusiasmo de toda uma nação, venceu a partida nos primeiros 25 minutos contra a Suécia (2 a 0), e da França, que bateu a favorita Espanha (3 a 1), nenhuma equipe se mostrou verdadeiramente convincente. Inclusive o Brasil, que venceu Gana por 3 a 0 – com o 15º gol de Ronaldo em Copas do Mundo, novo recorde –, ‘‘confundiu velocidade com precipitação’’, segundo seu treinador, Carlos Alberto Parreira.
  Isso não impede que a partida entre Brasil e França seja promissora, entre os dois últimos campeões do mundo. O quadrado mágico Ronaldinho-Kaká-Adriano-Ronaldo medirá forças com a veloz dupla Ribery e Henry.
  Se a final de 1998 ficou na memória dos franceses, a partida das quartas-de-final do Mundial-1986 e as semifinais da Suécia-58 são também inesquecíveis para todos os fãs do futebol: verde-amarelos e Bleus deram uma aula de futebol-arte em duas das partidas mais belas da história.
  Uma fonte de inspiração para Inglaterra, que, apesar de seu ‘‘quadrado mágico’’ (Cole-Lampard-Gerrard-Beckham) é a seleção que menos convenceu entre as favoritas. Os ingleses têm pela frente Portugal, que jogará sem dois de seus titulares – Costinha e Deco – suspensos após a partida contra a Holanda, que bateu o recorde negativo de cartões na história dos Mundiais, com 16 amarelos e quatro vermelhos.
  Mas com Figo e Cristiano Ronaldo é preciso ter cuidado com os portugueses, que já eliminaram o ‘English team’ nas quartas-de-final da Eurocopa-2004. Se Portugal nunca conquistou uma Copa do Mundo, o mesmo não se pode dizer de seu treinador, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, atual campeão do mundo.
  A Alemanha enfrentará um adversário do seu nível, depois de ter jogado contra seleções do segundo escalão (Costa Rica, Polônia, Equador e Suécia). A Mannschaft terá um difícil duelo com uma Argentina que chega a esta fase com ares de ‘‘dream team’’, com Riquelme, Crespo, Saviola, Tevez e Messi em grande forma.

mockup