Defesa do J. Malucelli sustenta que Getterson já estava vinculado ao clube e por isso não houve escalação irregular do atacante; Toledo contesta e pede rebaixamento do time de Curitiba
Defesa do J. Malucelli sustenta que Getterson já estava vinculado ao clube e por isso não houve escalação irregular do atacante; Toledo contesta e pede rebaixamento do time de Curitiba | Foto: Marcos Zanutto



O futuro do Campeonato Paranaense será definido na quinta-feira (6) no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O processo do J. Malucelli foi incluído na pauta da sessão do Pleno, que começa às 10h30. Somente após o julgamento é que a Federação Paranaense de Futebol (FPF) vai homologar os jogos de volta das quartas de final para este fim de semana.
O resultado no Rio de Janeiro pode modificar totalmente a sequência do Estadual, com uma punição ao Jotinha, e alterar também o rebaixamento para a Divisão de Acesso, já que neste caso o Toledo poderia se livrar da queda.
O J. Malucelli foi denunciado pela FPF por ter infringido o artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que fala sobre a forma de inscrição de atletas, por ter escalado o atacante Getterson de forma irregular nas três primeiras partidas da competição, já que seu nome não apareceu no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. O clube curitibano foi punido com a perda de 16 pontos (os sete conquistados nos três jogos e mais três pontos por partida), mas recorreu ao Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR) e recuperou a pontuação.
Interessados no processo, Toledo, Rio Branco e Foz do Iguaçu ingressaram com um pedido de suspensão da competição até o julgamento final no STJD, o que não foi aceito pelo presidente do tribunal, Ronaldo Piacente. Porém, no sábado (1º), o próprio presidente acolheu, parcialmente, o pedido da liminar cautelar e determinou que o resultado do confronto entre Londrina e J. Malucelli não fosse homologado pela FPF.

Argumentos
O advogado do Jotinha, Marcelo Contini, sustenta que a tese para este julgamento é a mesma utilizada no TJD. "Pelo regulamento da competição não existe irregularidade. O Getterson já tinha contrato com o clube e o vínculo estava publicado. Houve uma distorção do fato, tanto que o TJD absolveu o J. Malucelli", frisa. O nome do atacante apareceu no BID apenas no dia 6 de fevereiro, após sua passagem por empréstimo ao Dallas FC, dos Estados Unidos, em 2016. "Há uma prevalência pela sequência da competição, pelos resultados do campo de jogo".
Para o advogado do Toledo, Nixon Fiori, a irregularidade na escalação de Getterson é "bem nítida" e que a defesa vai tentar mostrar a infração. Sobre a tese do Jotinha ser punido, mas não rebaixado, em razão de estar entre os oito melhores da competição, o defensor alerta. "O jogo com o Londrina não foi homologado, e isso, na prática, não configura o início da segunda fase pelo J. Malucelli", aponta. "O STJD pode determinar a perda dos 16 pontos na primeira fase e, com isso, o J. Malucelli estaria automaticamente rebaixado", afirma o advogado especialista em direito esportivo Osvaldo Sestário, ex-presidente do Londrina.
O presidente do Toledo, Carlos Dulaba, lamenta as manobras jurídicas usadas pelo J. Malucelli para retardar o final do processo, o que impediu que o julgamento acontecesse antes do término da primeira fase. "A nossa ação para parar o campeonato foi um efeito em razão das manobras do J. Malucelli. Tenho certeza de que outros clubes que têm direito vão reclamar, de acordo com o resultado do julgamento", ressalta.

Jurisprudência
A jurisprudência mais aceitável em caso de punição ao time do Ecoestádio é que o Londrina se classificaria direto para a semifinal. "O meu entendimento é que o Malucelli sendo punido, o LEC segue na competição. Pode haver uma reclamação por parte do Rio Branco, por exemplo? Pode. Mas, se mudar todas as partidas, o prejuízo seria muito maior e para todos os envolvidos", avalia Sestário.
Uma situação parecida aconteceu na Copa São Paulo deste ano, quando o Batatais perdeu para o Corinthians na semifinal, mas denunciou o Paulista por ter escalado um jogador irregular na outra semi. O STJD puniu o clube de Jundiaí com a eliminação, e a Federação Paulista declarou o Batatais finalista.

LEC aposta em virada
O Londrina tenta se manter alheio ao imbróglio jurídico que se tornou o Campeonato Paranaense, e ao mesmo tempo quer se reconstruir para um eventual jogo de volta contra o J. Malucelli. A Federação Paranaense de Futebol vai homologar a rodada do fim de semana somente na quinta-feira (6).
Após perder a primeira partida no Estádio do Café por 3 a 1, o LEC terá que reverter a vantagem se quiser chegar à semifinal dentro de campo. Para se classificar direto, precisa vencer por três gols de diferença. Se ganhar por dois, a definição irá para as penalidades máximas. Em 2016, em duas oportunidades o alviceleste conseguiu fora de casa o resultado mínimo que necessita neste duelo pelo Estadual. Na Série B, venceu o Náutico por 2 a 0, no Recife, e o Sampaio Corrêa por 3 a 1, no Maranhão.
"Vale lembrar que o PSTC no ano passado perdeu de 3 a 0 para o J. Malucelli em Cornélio e depois foi lá em Curitiba, devolveu os 3 a 0 e se classificou nos pênaltis", recordou o técnico Claudio Tencati. "Nós já temos no nosso passado a reversão de situações adversas. Temos que nos concentrar para este jogo, independentemente do que vai acontecer fora de campo", ressaltou. Para a partida no Ecoestádio, o treinador não poderá contar com Germano, França e Luizão, suspensos. (L.F.C.)

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