Duelo dos astros
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Ary Cunha<br> Agência O Globo 
Hannover - Supersticioso de carteirinha, Luís Aragonés deixou a mala aberta e desarrumada em Kamen. Invicto há 24 partidas como técnico da Espanha, ele se nega a acreditar na hipótese de voltar para casa mais cedo. Amante da astrologia, o francês Raymond Domenech é idealista como todo bom aquariano. Sempre que alguém lhe pergunta sobre o fim da carreira de Zinedine Zidane, a resposta se repete: a despedida está marcada para a final do dia 9 de julho, em Berlim. Depois da partida de hoje, entre França e Espanha, às 16h (horário de Brasília), pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo, um dos dois técnicos terá de rever seus conceitos.
Quem vencer será o adversário de Brasil ou Gana nas quartas-de-final. Na primeira fase, a Espanha ficou em primeiro lugar no grupo H, com vitórias sobre Ucrânia, Tunísia e Arábia Saudita. Já os franceses passaram por maus bocados. Empataram com Suíça e Coréia do Sul e só garantiram o segundo lugar no grupo G com a vitória sobre Togo na última rodada.
No histórico dos confrontos, os franceses levam a melhor. Em cinco partidas oficiais contra os vizinhos europeus, foram quatro vitórias e um empate. Dois destes confrontos pela Eurocopa ficaram marcados. Em 1984, a França conquistou o título, vencendo por 2 a 0. O chute de Platini que passou por baixo dos braços de Arconada e abriu caminho para a volta olímpica ainda rende comentários em Paris, Madrid e até em Hannover, palco da partida de hoje à tarde.
''Eu tinha 7 anos de idade, mas me lembro bem daquele jogo. E, obviamente, não posso esquecer da vitória francesa nas quartas-de-final em 2000, por 2 a 1. Já não temos o Platini, mas ainda podemos contar com Zidane, que fez um dos gols há seis anos'', brincou o lateral Sagnol.
Naquela partida em Bruges, na Bélgica, outro personagem da partida de hoje teve papel fundamental no placar. Raúl perdeu um pênalti e acabou com as chances espanholas de classificação. Pelo menos na entrevista de ontem, o atacante espanhol procurou demonstrar que o trauma ficou para trás. Ele até fez um comentário bem-humorado sobre o companheiro de Real Madrid às portas da aposentadoria: ''Zidane é um grande jogador, que já se despediu do Real Madrid e falou que na Copa da Alemanha encerraria a carreira. Tomara que, pelo bem da Espanha, amanhã (hoje) seja seu último jogo''.
Para Domenech, não é bem isso que está escrito nas estrelas. O treinador, pela primeira vez na Copa, fez mistério sobre a escalação do time. Não quer revelar aos rivais se vai jogar com mais um apoiador, Malouda, ou com Trezeguet ao lado de Henry na frente.
''Não vou dar a escalação. Gosto de ir contra as correntes normais. É um jogo de pressão, mas uma pressão positiva. Zidane garante um toque de talento para a equipe e estou certo de que ele vai encerrar sua carreira na final, em Berlim'', afirmou o treinador francês.
Aragonés não deixou barato. Ao contrário do rival, abriu mão do mistério e partiu para a intimidação. A Espanha vem com todos os seus três atacantes - Raúl, Fernando Torres e Villa - para acabar com a incômoda sina de fracassos contra os franceses.
''Não vou esconder nada. Vocês sabem qual é a escalação que treinei e confio na equipe. Tanto que deixei tudo desarrumado no quarto, roupa nos armários, mala aberta, necessaire no banheiro, está tudo em seu lugar na concentração. Sou um otimista'', afirmou Aragonés, que defende também uma invencibilidade de 11 partidas como jogador da Fúria, entre 1965 e 1972.
ESPANHA
Casillas; Sérgio Ramons, Pablo Ibáñez, Puyol e Pernía; Xabi Alonso, Césc e Xavi; Raúl González, Fernando Torres e Villa.
Técnico: Luís Aragonés
FRANÇA
Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Vieira, Makelele, Ribery e Zidane; Trezeguet (Malouda) e Henry.
Técnico: Raymond Domenech
Árbitro: Roberto Rosetti (ITA)
Estádio: AWD Arena, em Hannover
Horário: 16 horas


