Albari Rosa




Fome de golO atleticano Tuta e o coritibano Brandão têm uma disputa particular no jogo de hoje: é o duelo de goleadores

Vivendo situações distintas, os centroavantes Tuta (Atlético) e Brandão (Coritiba) têm um encontro marcado com o destino na tarde de hoje, no Estádio Couto Pereira. Encarnando a figura do ‘‘homem-gol’’, os dois são a esperança de um Atletiba alegre e vibrante, traduzido por muitas bolas na rede.
Enquanto o primeiro experimenta a glória conquistada pela liderança da artilharia do Campeonato Paranaense, com 16 gols marcados em 16 jogos, marca que também desponta entre todos os outros campeonatos estaduais do País; o segundo luta para superar o trauma de uma cirurgia no joelho e voltar aos bons tempos, como em 95, no inesquecível Atletiba em que fez três dos cinco gols da vitória do Coritiba (5 a 1), goleada histórica que acabou derrubando o ex-presidente atleticano Russen Zraik.
Brandão recorda com saudade dos momentos em que se transformou no impiedoso carrasco do rubro-negro. ‘‘Não dá para explicar o que você sente naquela hora em que a torcida toda está pulando e gritando seu nome. Como em todos os clássicos, foi um jogo difícil, mas que tive a felicidade de fazer três gols. Se não me engano, nosso time não vinha muito bem no campeonato, mas vencemos um adversário tradicional e isso sempre dá muita moral. No dia seguinte, quando fiquei sabendo que até o presidente do Atlético tinha caído por causa daquele resultado, não posso negar que fiquei feliz pela importância dos meus gols’’.
Mas agora, o artilheiro da competição veste as cores contrárias. Tuta já é festejado como sucessor de antigos ‘‘matadores’’, incluindo seu nome ao lado de Sicupira, Washington, Assis, Oséas e Paulo Rink.
O sucesso do camisa 9 atleticano tornou seu passe um dos mais valorizados do mercado. A diretoria faz segredo do valor pago ao Lousano Paulista, de Jundiaí (SP), mas é líquido e certo que quando for vendido renderá aos cofres do clube mais do que qualquer investimento financeiro do mercado.
Grandes clubes do eixo Rio-São Paulo e emissários do exterior já rondam a Baixada atrás do goleador, que não esconde sua vontade de brilhar em outras fronteiras. ‘‘No momento estou tranquilo, só pensando no Atlético e no campeonato que estamos participando. Todos esses gols que estão surgindo são fruto de muito trabalho, da seriedade, união e colaboração dos meus companheiros de equipe’’.
Nascido Moacir Bastos, no dia 20 de junho de 1974, Tuta confessa o sonho de todo jogador profissional de futebol. ‘‘Qual é a pessoa que não almeja o sucesso. Eu quero vencer na profissão fazendo aquilo que eu sei de melhor: gols’’.
Do alto de seus 1,88m e 76 quilos, o artilheiro lembra do difícil começo de carreira no Araçatuba (SP), XV de Novembro, de Piracicaba (SP), Juventude (RS), Lousano Paulista e Portuguesa de Desportos (SP). No Atlético, onde chegou no início do ano, pretende decolar de vez. ‘‘É um grande clube, que me dá todas as condições para desenvolver meu potencial. Quero continuar marcando meus gols, dando muitas alegrias à torcida, e se tudo der certo, conquistar o título de campeão deste ano. Temos um compromisso difícil contra o Coritiba hoje, mas estamos preparados para a vitória. Sempre fui muito alegre, brincalhão, com jeito de moleque, mas em campo procuro me concentrar para jogar sério e cumprir minha missão com competência’’.

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