Maracaibo, Venezuela - Três anos depois de terem decidido a Copa América de 2004, quando a seleção brasileira se sagrou campeã nas cobranças de pênaltis após empate dramático por 2 a 2 no tempo normal, Brasil e Argentina voltam a se encontrar numa final continental. O duelo da edição da Venezuela acontecerá hoje, às 18h05 (de Brasília), no Estádio José Pachencho Romero, em Maracaibo. Caso o duelo termine empatado, o campeão sairá nas penalidades máximas.
Novamente os argentinos, assim como aconteceu há três anos, chegam com sua força máxima e como favoritos. Afinal de contas, os números falam por si só. Além de ser o único time com 100% de aproveitamento, o escrete platino possui o melhor ataque do torneio, com 16 gols marcados, e a defesa menos vazada, com apenas três gols sofridos. Nas semifinais a Argentina fez 3 a 0 no México.
A seleção brasileira, também repetindo a campanha de 2004, aposta em atletas emergentes no cenário internacional e atuará sem as suas principais estrelas, como os meias Ronaldinho Gaúcho e Kaká, que pediram dispensa para poderem curtir as férias. A atual trajetória também é irregular e começou com uma derrota para o México. O melhor momento foi a goleada por 6 a 1 sobre o Chile nas quartas-de-final. Porém, nas semifinais, os brasileiros sofreram para eliminar o Uruguai nos pênaltis, após empate por 2 a 2 no tempo normal.
Todo esse cenário aponta a Argentina como a grande favorita. Até Pelé disse que dificilmente os platinos perderão a decisão. Porém, essa opinião não é compartilhada pelos brasileiros. ''Cada um tem o direito de falar o que quiser e dar o prognóstico que bem entende. Tudo isso faz parte do futebol. O que eu sei é que não há favoritos numa final entre Brasil e Argentina, pois neste jogo tudo tem o seu peso, desde a qualidade individual, passando pelo conjunto e chegando até tradição e camisa. Portanto, para mim qualquer análise agora é palpite'', disse o meia Júlio Baptista.
Para o técnico Dunga não dá para se fazer previsões sobre quem vai conquistar a Copa América. Mas ele tem convicção do que seu time precisa fazer. ''Creio que vamos precisar marcar bem a Argentina, sem deixar eles raciocinarem para criar. Vamos ter que diminuir o raio de ação deles e valorizar a posse de bola. Quando estivermos com ela, teremos que explorar bem os erros do nosso adversário e nos movimentarmos com velocidade e inteligência na frente'', ensinou Dunga, que pode se tornar o primeiro homem na história do Brasil a ser campeão como técnico e jogador. Ele era volante da equipe que ficou com a taça em 1989 e em 1997.
Pelo lado da Argentina, o técnico Alfio Basile também parece não gostar muito do rótulo de favorito e justamente por isso adota um discurso humilde, minimizando comparações sobre a campanha das duas equipes. ''Não é porque fizemos mais gols, ou sofremos menos, ou porque ganhamos mais jogos, que podemos ser apontados como favoritos. Futebol não é uma ciência exata e nem um esporte que tenha resultados lógicos. Quando a bola rola qualquer coisa pode acontecer, ainda mais num clássico da importância de Brasil e Argentina. Só sei que vai ganhar quem errar menos e espero que seja a Argentina'', disse Basile.
Até mesmo na definição das equipes que irão a campo os argentinos levam vantagem, pois Basile não tem problemas e contará com o mesmo time que bateu o México nas semifinais. O técnico argentino poderá contar até mesmo com o atacante Crespo, que se lesionou no início da competição, mas já foi liberado pelo departamento médico.
Já Dunga terá um desfalque importante, o volante e capitão Gilberto Silva, que está suspenso por ter recebido o segundo cartão amarelo contra o Uruguai. O meia Elano treinou entre os titulares no coletivo de sexta-feira e deve ficar com a vaga. Outra possibilidade é a entrada do volante Fernando.


EM MARACAIBO

Brasil

Doni; Maicon, Juan, Alex e Gilberto; Mineiro, Josué, Elano e Júlio Baptista; Robinho e Vágner Love. Técnico: Dunga

Argentina

Abbondanzieri; Zanetti, Ayala, Gabriel Milito e Heinze; Verón, Mascherano, Cambiasso e Riquelme; Messi e Tevez (Crespo). Técnico: Alfio Basile

Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Estádio: José Pachencho Romero
Horário: 18h05 (de Brasília)

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