São Paulo, 10 (AE) - Folha de pagamento alta, prêmios polpudos e algumas dívidas atrasadas. A situação do Corinthians é semelhante a dos outros grandes clubes brasileiros, ou seja: todas as receitas que entram já estão comprometidas e são logo consumidas. Assim, o presidente Alberto Dualib explicou o fato de o clube já ter recebido neste ano cerca de R$ 11,5 milhões e ter gasto cerca de R$ 12,5 milhões.
Segundo Dualib, entraram nos cofres corintianos, antecipadamente, R$ 11,3 milhões: R$ 2 milhões (Topper), R$ 5,5 milhões (cotas dos jogos do Campeonato Paulista), R$ 1 milhão (TV Globo), R$ 1,3 milhão (Clube dos 13) e R$ 1,5 milhão (prêmio pela conquista do brasileiro).
Em compensação, o clube já gastou R$ 12,7 milhões neste período: R$ 5,4 milhões (folha de pagamento, férias e 13.º salário), R$ 3 milhões (prêmio pelo Brasileiro) e R$ 4 milhões (parcela do passe de Marcelinho). O déficit, de acordo com o presidente, foi compensado pelas receitas alternativas, como licenciamento da marca etc. "Jamais atrasamos a folha de pagamento, que gira em torno de R$ 1,8 milhão por mês, e pagamos um prêmio altíssimo pelo título brasileiro e os atletas ainda reclamam, disse Dualib.
Icatu e o impasse - O dinheiro que entrou de forma antecipada nas contas do Corinthians é o motivo do impasse para a assinatura do acordo de parceria com o Banco Icatu, que teria a duração de dez anos. Como algumas receitas são anuais, o banco, que ficaria responsável por toda a gestão financeira, se vê no direito de incluir essas receitas no acordo, ou, pelo menos, abatê-las do investimento que fará.
Pelo pré-contrato assinado em 29 de outubro de 1998 e vencido em 27 de janeiro de 1999, o banco desembolsaria, de luvas, R$ 14 milhões à vista e mais R$ 12 milhões em quatro parcelas. O Corinthians propôs um abatimento de R$ 5 milhões em virtude das receitas que embolsou antecipadamente: seriam, então, R$ 14 milhões à vista e mais R$ 7 milhões em quatro parcelas. O restante seria diluído ao longo do acordo. "Estamos estudando a melhor forma de ressarcir o Icatu ao longo do contrato; o que não podemos é dividir algo com um parceiro com quem ainda não assinamos um acordo, disse Dualib.
Os dirigentes corintianos esperam uma resposta para depois do carnaval, quando Luís Antônio Braga, dirigente do Icatu, retorna de viagem aos Estados Unidos. O acordo ainda deve sair. Hoje, Corinthians e Icatu, em nota oficial, desmentiram que o banco tenha adiantado qualquer quantia ao clube. A nota diz ainda que existe "total respeito e consideração entre ambos.
Dívidas antigas também atrapalham a saúde financeira do Corinthians. A Federação Paulista repassou ao clube o custo total do passe de Marcelinho (US$ 7 milhões) depois do fracasso do Disque-Marcelinho. O clube ainda tem uma parcela de US$ 1,5 milhão a saldar.
O clube também assumiu com o atacante Edílson uma dívida que era do Banco Excel, ex-patrocinador do clube. São cerca de R$ 900 mil em 12 meses, entre salários atrasados do banco e parte dos 15% da transferência do atleta. O Corinthians ainda deve aos jogadores 10% (R$ 300 mil) do prêmio do título brasileiro e tem um passivo com o Excel de R$ 3 milhões.
Por tudo isso, o acordo com o Icatu é visto como a salvação. A primeira parcela das luvas parcela (R$ 14 milhões) já tem endereço certo: servirá para pagar a dívida com o Excel e as obras no CT, sede social, salão de festas e centro administrativo. Segundo Dualib, o banco, à parte, se responsabilizaria também pela folha de pagamento e pelas contratações.

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