Dualib contorna crise e promete pagar dívidas
São Paulo, 07 (AE) - A crise financeira que atinge o Corinthians fez com que o presidente do clube, Alberto Dualib, visitasse hoje o hotel onde o time estava concentrado, numa atitude inusitada, para procurar acalmar os jogadores. Dualib garantiu que as dívidas seriam pagas, "na medida do possível, e convenceu o atacante Edílson a enfrentar o Flamengo. Edílson havia se recusado a jogar enquanto o clube não saldasse uma dívida de R$ 1,3 milhão que tem com ele desde que foi contratado junto ao Kashiwa Reysol, do Japão, em 1997. Dualib disse que iria se reunir com dirigentes do Banco Bilbao Vizcaya, dono do passe do jogador, para resolver o problema. Assim, assumiu a dívida e a missão de cobrá-la posteriormente junto ao banco.
"O Corinthians assumiu a dívida do banco e o problema foi resolvido, disse Edílson, pouco antes do jogo de hoje. "O importante era o Edílson jogar; depois cobraremos o banco, disse o diretor Carlos Nujud.
Com uma dívida global estimada em R$ 15 milhões, o Corinthians ainda deve aos jogadores o prêmio pela conquistado do título brasileiro (R$ 700 mil). Precisa solucionar também os casos de Rincón e Gamarra, que recebem salários proporcionais à cotação do dólar e querem manter essa situação. As dificuldades financeiras do clube também impedem a contratação de reforços. Desde que assumiu o comando da equipe, o técnico Oswaldo de Oliveira disse que necessitava urgentemente de um atacante, que até agora não veio.
"A crise financeira do País afeta todos os clubes, e o Corinthians precisa seguir a sua política de austeridade para não mergulhar nesse caos, disse o diretor de Futebol, Luiz Henrique de Menezes, justificando a ausência de reforços. "Estão querendo passar a imagem de um Corinthians e isso eu não aceito de maneira nenhuma.
Para complicar, Oswaldo de Oliveira até agora não conseguiu escalar o time campeão brasileiro. Gilmar, Ricardinho e Rincón recuperam-se de contusões. Dinei pediu para fazer um trabalho de reforço muscular nos próximos dez dias. O time estréia na Taça Libertadores no dia 24, contra o Palmeiras, e as perspectivas até agora não são nada boas.
A salvação para os problemas econômicos do clube pode ser o contrato de parceria com o Banco Icatu, que duraria dez anos e renderia cerca de R$ 430 milhões ao clube neste período. Mas ainda existem algumas pendências que ameaçam a assinatura do acordo.
O Corinthians quer um indexador para o contrato para proteger o clube diante da iminente volta da inflação. O banco, por sua vez, exige que as receitas que o clube recebeu antecipadamente em janeiro, pouco mais de R$ 10 mihões, sejam repassadas à parceria.
O Icatu estaria disposto a arcar com todas as despesas do departamento de futebol, desde que fique responsável pela administração de todas as receitas.





