Dribles de Robinho causam polêmica
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Tem gente que acha que o drible deve ser extinto. A discussão surgiu na noite de domingo, após a vitória do Santos sobre o Grêmio. O explosivo goleiro Danrlei ficou irritado com as jogadas desconcertantes do arisco meia Robinho, do time paulista, e fez uma ameaça por meio da imprensa. ''Um dia, um jogador vai quebrar a perna dele. Os jogadores começam a ficar com raiva, a não gostar dessas atitudes antifutebol e um deles quebra sua perna. Aí ele vai dizer que os atletas das outras equipes são desleais.''
Mas o drible, um dos momentos mágicos do esporte, é antifutebol? Ou a violência é antifutebol? O corintiano Fábio Luciano seguiu uma linha de raciocínio parecida com a do goleiro gremista, embora bem menos radical. O zagueiro acredita que a inexperiência do meia santista ainda pode lhe render alguma dor de cabeça no futuro. ''Ele vai apanhar um pouco até aprender'', observou. ''Quando o jogador dribla para a frente, com o objetivo de avançar e fazer o gol, como faz o Gil aqui, é normal. O que não pode é o drible para trás, porque, nesse caso, o marcador vai se sentir ofendido, ficar nervoso'', acrescentou Anderson, também zagueiro do Corinthians.
O cúmulo dessa inversão de valores ocorreu há três meses, pela fase de classificação do Campeonato Brasileiro. O árbitro gaúcho Leonardo Gaciba aplicou um cartão amarelo ao atacante Jabá, do Coritiba, por ter enfeitado uma jogada durante partida com o Santos, em Curitiba. Considerou menosprezo ao adversário. O mesmo Leonardo Gaciba deixou de dar vários cartões por faltas violentas, por lances que o torcedor não gosta de ver.
Robinho, que faz o que o torcedor gosta de ver, disse que não ligou para as ameaças de Danrlei. ''Ele estava nervoso.'' O atacante já está se acostumando às provocações. Seu estilo de jogo não vai mudar. Pode parecer incrível, mas prefere um bom drible a marcar gol. A revelação foi feita por seu técnico, Emerson Leão. ''Tive de mostrar ao Robinho a importância do gol. Para ele, o êxtase do futebol sempre foi o drible, mais que o gol'', contou Leão.
Seu companheiro Diego garante que o drible é só um recurso para superar a marcação, jamais para humilhar o oponente.
Que Robinho aproveite seu talento, raro, típico do futebol brasileiro. Pelo menos enquanto a Fifa permitir.


