São Paulo, 21 (AE) - Há cinco meses, o meia Fabiano, do São Paulo, não sabe o que é chutar uma bola, marcar um adversário ou comemorar um gol. Desde o início de abril, não treina com os companheiros. Apenas toma medicamentos, participa de rápidas sessões de fisioterapia e, sonha em voltar a jogar futebol. Quando? Ninguém sabe. "Só não perco as esperanças", conta, desconsolado, o atleta de apenas 21 anos.
O drama de Fabiano resume-se a uma artrite reativa no tornozelo direito, doença considerada crônica. "Isso não significa que não exista cura", alerta José Sanches, médico do clube. "O tratamento, porém, é lento e sem data para ser concluído." A lesão do jogador, na verdade, é uma inflamação das articulações do tornozelo. Não é tão grave quanto a artrite reumatóide, comum em pacientes idosos.
Tudo começou no início do ano, durante a pré-temporada do São Paulo. Em um treino físico, Fabiano sofreu uma entorse no pé e passou a sentir dores na parte externa do tornozelo. O que era, inicialmente, apenas um susto transformou-se num dilema para o atleta. "Depois de algumas semanas, a dor passou para o lado de dentro do pé e os médicos não descobriam qual era o problema", lembra o meia.
Fabiano submeteu-se a uma longa série de exames e a artrite, finalmente, foi constatada. Segundo Sanches, quatro semanas após o atleta ter-se contundido. O diagnóstico, porém, só foi divulgado três meses depois. No clube, a doença do jogador é um mistério. O médico são-paulino até proibiu a reumatologista Emília Sato, que cuida de Fabiano, de pronunciar-se sobre o caso.
Enquanto isso, o atleta terá de esperar mais um mês para voltar às atividades. "Estou tomando antibióticos fortes, que causam cansaço e me impossibilitam de treinar", ressalta Fabiano. A fisioterapia diária é necessária apenas para que o meia não perca totalmente o condicionamento físico. "Descobri que o melhor remédio é ter paciência", afirma Fabiano. "É desesperador não saber quando poderei estar bom, mas nada está acabado em minha carreira."
CARECA - A doença de Fabiano, apesar de rara no mundo do futebol, não é novidade para muitos dos torcedores do São Paulo. Há cerca de 15 anos, o atacante Careca, um dos grandes ídolos da história do clube, passou pelo mesmo problema obscuro e teve sua trajetória no esporte ameaçada. "Foi o momento mais difícil da minha carreira", recorda o jogador, ainda em atividade, aos 38 anos, no São José-RS.

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